Risco climático aumenta procura por seguro rural
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Ana Paula Nascimento De Londrina 
Com a proximidade do início da colheita da safra de inverno no Paraná, aumenta a preocupação com as condições climáticas, principalmente depois das geadas e secas do ano passado e suas graves consequências. Os riscos de perdas colocam o seguro agrícola como uma saída, embora os brasileiros não tenham muita tradição em utilizar esse tipo de recurso.
No ano passado, com as adversidades nos Estados do Paraná e São Paulo, o número de sinistros aumentou e a Cosesp,líder no setor, teve que acionar, pela primeira vez, recursos do Fundo de Estabilização de Seguros Rurais (FESR) para indenizar os agricultores. Este fundo deve ser acionado pelas seguradoras em situação de catástrofe, quando as indenizações são derivadas de um mesmo sinistro, ou de uma série de sinistros, decorrentes de um mesmo evento, que ultrapassem o valor de R$ 470 mil.
O problema é que, embora o fundo receba 50% do lucro da seguradora, ele é administrado por uma autarquia do Ministério da Fazenda que havia liberado R$ 116 milhões do FESR para o Fundo de Habitação, depositado R$ 73 milhões no orçamento da União, e apenas mantinha liberado saldo de R$ 2 milhões.
No final de outubro de 2000, um projeto de lei garantiu a liberação de recuros da União, que foram suficientes para pagar 11 mil apólices, mas ainda restam cerca de nove mil contratos a espera de indenizações, sendo mais que a metade do Paraná, e totalizando aproximadamente R$ 70 milhões.
Segundo a assessoria de imprensa da Cosesp, o ministério da Fazenda já autorizou a liberação desse recurso, em despacho publicado no Diário Oficial, e a expectativa da empresa é que em junho as apólices pendentes comecem a ser pagas.
No caso de seguros para lavouras de café, que a Cosesp iniciou no Paraná no ano passado, a indenização só é liberada quando as adversidades climáticas, como geadas e chuvas de granizo, causam a perda da parte aérea da planta, sendo necessária a poda drástica.
Como funciona A cobertura do seguro é dividida em quatro faixas. Para lavouras novas de um ano, R$ 0,75 por pé, com taxa de 7% sobre o valor total; para lavouras de dois anos, R$ 1,20 por pé, com taxa de 6,20%; para lavouras de três anos, R$ 1,50 por pé, com taxa de 5,40% e de lavouras de quatro a dez anos, R$ 1,80 por pé ou cova, com taxa de 4,70%. As lavouras devem passar por inspeção de técnico credenciado pela seguradora antes do fechamento do contrato.
Quem trabalha com agricultura, a céu aberto, não pode ficar tão exposto aos riscos. É importante fazer o seguro das lavouras, mas acho que o nosso País ainda está muito atrasado neste setor, disse o presidente da comissão técnica de café da Faep, Wilson Baggio. No ano passado, Baggio apresentou proposta de seguro agrícola baseado no sistema americano que é auto-sustentável e remunera o produtor tendo como base a produtividade nos últimos cinco anos, não levando em consideração o lucro cessante.
Na uva, houve eficácia No início de setembro do ano passado, uma chuva de granizo destruiu parrerais de Rosário do Ivaí. Dos cerca dos 400 produtores da região, 60 haviam feito o seguro da Cosesp e receberam as indenizações em 35 dias. A maioria dos produtores recebeu cerca de 70% sobre o prêmio, já que o sinistro ocorreu antes do iníco da colhita, em dezembro, informou o gerente do Banco do Brasil de Grandes Rios, José Carlos Juliani. Na época, os seguros foram comercializados através do banco, que não está mais trabalhando com os seguros da Cosesp. Mais informações sobre seguro 0800-437714.


