Risco Brasil sobe com iminência de guerra
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo O risco Brasil fechou em forte alta de 2,68%, a 1.303 pontos a terceira do ano, apenas com o estresse dos mercados sobre a possibilidade de guerra no Iraque e seus impactos sobre os preços do petróleo e sobre a economia mundial. Enquanto isso, o principal título da dívida brasileira negociado no exterior, o C-Bond, fechou em baixa de 0,62%, a 70,125% do valor de face.
Risco e títulos estão ligados porque o risco, calculado por meio do índice Embi+ do banco JP Morgan, mede a diferença dos juros pagos pelos títulos de um país em relação aos títulos dos EUA. Quanto maior essa diferença, pior a cotação do título e maior o risco.
Anteontem, a ONU (Organização das Nações Unidas) disse ter encontrado 11 ogivas químicas vazias. O Iraque afirma que as ogivas foram declaradas no relatório de armas entregue ao organismo em dezembro.
A notícia amplia a brecha dos EUA para conquistarem apoio internacional a um suposto ataque militar ao Iraque, ao qual acusam de produzir armas de destruição em massa. A tensão dos mercados se dá porque o Iraque está encravado na maior região exportadora de petróleo do mundo, o Golfo Pérsico, e uma crise nos preços do produto ameaçaria a recuperação da economia global.
A avaliação dos analistas é de que o risco ainda teria espaço para cair mais. Entretanto, essa queda pode ser ameaçada pelo cenário político internacional instável, que aumenta a aversão ao risco e reduz o número de investidores dispostos a colocar dinheiro em países em desenvolvimento, onde os mercados são mais voláteis.


