Risco Brasil pode chegar a 900 pontos
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sábado, 15 de março de 2003
Agência Estado 
Rio - A espetacular queda do risco Brasil, desde que ele atingiu o recorde de 2.443 pontos em setembro de 2002, tem boas condições de prosseguir neste primeiro semestre, segundo economistas e profissionais do mercado financeiro ouvidos pela reportagem. Na sexta-feira, o indicador fechou em 1.082, com uma queda de 56% em relação ao pico do ano passado. Para a maioria dos analistas, o risco país pode cair abaixo de 1.000 pontos e se aproximar dos 900 ainda no primeiro semestre de 2003.
O melhor, porém, é que a diferença entre o risco Brasil e o risco do conjunto dos países emergentes vem diminuindo velozmente, o que significa que, nos últimos meses, os papéis brasileiros têm tido um desempenho melhor do que os outros. A diferença entre o Brasil e o resto dos emergentes (excluindo a Argentina) caiu de 1.787 para 601 pontos desde setembro.
Exagero - O risco país é uma média de quanto se paga a mais do que os Estados Unidos para captar dinheiro no mercado internacional, no conjunto de títulos que cada nação emite. Cada 100 pontos do risco corresponde a 1 ponto porcentual de taxa de juros. O risco país das nações emergentes é calculado pelo banco americano JP Morgan.
É claro que a recuperação recente do Brasil - inclusive na comparação com outros países emergentes - deve-se, em grande parte, ao temor exagerado que tomou conta dos investidores no ano eleitoral de 2002. ''Este é um movimento de retomada da sensatez em relação ao risco Brasil'', diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da consultoria Tendências.
Há consenso no mercado financeiro de que a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, talvez, o principal fator por trás da melhora do risco Brasil. Os sinais crescentes de que o PT praticaria uma política fiscal e monetária extremamente responsável, seguidos de medidas concretas como a meta de superávit primário de 4,25% do PIB em 2003, e dois aumentos da taxa básica de juros (Selic), provocaram uma reviravolta na percepção do risco país. E a perspectiva de que o novo governo consiga fazer as mudanças previdenciárias e tributárias pode aprofundar ainda mais a queda do risco país. ''O governo tem mostrado cada vez mais disposição de seguir uma política econômica consistente, e agora só faltam mais passos concretos'', diz Rodrigo Azevedo, economista-chefe do CS First Boston no Brasil.


