São Paulo, 03 (AE) - O risco Brasil deverá cair para níveis entre 900 e 850 pontos-base ainda em abril, se o cenário interno se mantiver positivo, disse o diretor para a América Latina do Sterling Financial, Marcelo Fleury. Ele concorda com as análises do mercado de que esse nível ainda é alto para que o governo faça uma emissão soberana.
O diretor acredita que tão logo a taxa alcance estes patamares as especulações sobre a emissão irão aumentar. ''Não significa que o governo fará uma emissão quando o risco atingir esse nível'', salientou. Mas se o cenário permanecer favorável, o governo não vai perder a oportunidade de emitir títulos porque tem consciência de que fluxos positivos de liquidez como os que vêm beneficiando o mercado brasileiro nas últimas semanas podem ser muito curtos.
Sobre o anúncio ontem da elevação da recomendação da dívida brasileira para ''overweight'' pelo ABN Amro, Fleury considera natural que essas alterações ocorram a partir da melhora do rendimento dos papéis brasileiros, mais valorizados do que os de outros mercados emergentes como Rússia e México. Ele acredita, salvo mudanças bruscas no quadro, que a escalada dos preços dos títulos brasileiros, atualmente negociados a 81 centavos de dólar (C-Bonds), deve continuar, pois o risco País ainda está bem próximo de 1.000 pontos. ''Talvez não na mesma velocidade'', argumentou.
Para o analista, a permanência do fluxo de recursos para o Brasil depende dos efeitos que do ataque dos EUA ao Iraque terá sobre os mercados. Ele lembra que antes do começo do conflito houve depressão nas bolsas dos EUA, com a fuga dos investimentos para fundos de renda fixa e emergentes. Ao mesmo tempo, verificou-se redução significativa da aversão ao risco aos emergentes, que tanto castigou o Brasil em 2002.

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