Risco Brasil aumenta e bolsas desabam
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Agência Estado 
A percepção de que o risco Brasil vinha aumentando tornou-se oficial ontem. Pela primeira vez em nove anos, o rating dos títulos brasileiros foi rebaixado pela agência norte-americana de classificação de risco Moodys Investors Services. O rating dos títulos públicos denominados em moeda estrangeira baixou para B2, uma posição abaixo do anterior B1. A agência citou o crescente custo do déficit público e do déficit na balança comercial como justificativas para o corte.
O rebaixamento do rating soberano do Brasil cancela a elevação realizada pela Moodys em 1994 e coloca o risco do País no mesmo nível de Venezuela, Paraguai e Nicarágua. O risco dos títulos denominados em reais foi rebaixado ainda mais baixo, para Caa1. A classificação de risco da Venezuela também foi rebaixada, assim como a do Brasil, de B1 para B2.
O rebaixamento afetou também todos os papéis de empresas
brasileiras negociados no exterior que tinham um risco igual ao risco soberano brasileiro. Entre os papéis afetados estão títulos de puros-sangue como Aracruz, Organizações Globo, Petrobrás, Ceval Alimentos, Escelsa, CSN Iron, e a Cidade do Rio de Janeiro. As notícias ruins não pararam por aí. A Moodys informou que
colocou as classificações de risco da Argentina e do México em revisão para possível rebaixamento. As notícias caíram como uma bomba sobre os mercados acionários do Brasil, de todos os países latinos e com rescaldo até mesmo em Wall Street. O raciocínio é o seguinte: uma classificação de risco pior deverá não apenas afastar os investidores em ações como também elevar o custo de captação de recursos no exterior para empresas e governos.
Podemos dizer adeus ao crescimento na região, disse Debora Morsch, da corretora Solidus em Porto Alegre, à Bloomberg News. A situação da América Latina, que já era difícil, ficou muito delicada, disse um administrador de recursos de um banco estrangeiro.
A Bovespa, que vinha registrando um resultado negativo de 3,5% antes da divulgação da notícia, foi tomada por uma onda de pânico. O Índice Bovespa chegou a um mínimo de 6.187 pontos, queda de 9,07%, para fechar em baixa de 8,61% a 6.218 pontos. O volume de negócios foi de R$ 604,82 milhões. Depois que saiu a notícia, a pressão vendedora foi muito forte, disse um operador. Os American Depositary Receipts (ADRs) da Telebrás negociados em Nova York caíram 9,90% e fecharam na mínima do dia a US$ 64,8750.
Apesar de todo o impacto negativo, os analistas advertem que a reputação de agência internacionais como a Moodys foi abalada pelos erros cometidos no México em 1994 e na Ásia em 1997. Essas empresas podem estar agindo preventivamente e sendo conservadoras demais na avaliação da América Latina, disse um profissional de mercado.


