Risco aumenta e Argentina fala em dolarização
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quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Das agências<br> De São Paulo 
A Argentina viveu ontem mais um dia de histeria no mercado financeiro, com novo recorde de desconfiança e forte queda da Bolsa de Buenos Aires. Uma nova onda de boatos voltou a circular ontem, o que levou o presidente Fernando de la Rúa a ratificar, mais uma vez, a permanência de Domingo Cavallo no Ministério da Economia e negar planos para uma desvalorização do peso ou para uma moratória.
O chefe do Gabinete de Ministros, Chrystian Colombo, afirmou que o governo manterá a paridade entre o peso e o dólar, mas disse que ''num caso extremo, haveria um custo menor numa dolarização que numa desvalorização''. Essa foi a primeira vez que algum membro do atual governo admitiu a possibilidade de dolarização da economia, que foi defendida pela equipe econômica do ex-presidente Carlos Menem (1989-99) no período final de seu governo.
O índice de risco-país, principal termômetro da desconfiança, bateu ontem um novo recorde, ao atingir 1.842 pontos, num nível inferior somente ao risco da Nigéria (1.954 pontos), entre os índices de países emergentes medidos pelo banco JP Morgan. A Bolsa de Buenos Aires teve nova queda forte ontem, de 3,63%. Desde janeiro, o índice Merval da Bolsa local já caiu mais de 60%.
Brasil A pressão sobre o câmbio continuou ontem, refletindo a preocupação do mercado quanto ao agravamento da crise da Argentina. Para impedir a disparada das cotações, o Banco Central (BC) realizou dois leilões de títulos cambiais, mas, a exemplo do que ocorreu na quarta-feira, conseguiu apenas atenuar a alta da moeda. O dólar subiu 0,55%, fechando em R$ 2,737. Foi a quarta alta seguida da moeda, que acumula valorização de 2,47% no mês e de 40,29% no ano.


