Risco Argentina dispara dólar no Brasil
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quarta-feira, 21 de novembro de 2001
Agência Estado<BR>De São Paulo 
O dólar comercial interrompeu a queda dos dois últimos dias úteis para fechar na cotação máxima de R$ 2,5550, em alta de 1,39%. O fluxo negativo de recursos e a piora dos indicadores argentinos após a renúncia no início da tarde do secretário de Política Econômica do Ministério da Economia da Argentina, Frederico Sturzenegger, pressionaram as cotações da moeda nos mercados à vista e futuro. Na BM&F, o contrato que vence em 1º de dezembro projetou no fim do pregão de viva-voz avanço de 1,10%, a R$ 2,5630 .
O descolamento do risco Brasil do risco Argentina se manteve ontem. Mas, o mercado doméstico reagiu negativamente às informações vindas do país vizinho. Além da renúncia de Sturzenegger, um conjunto de outras más notícias afastou o bom humor desde cedo.
O ministro da Economia Domingo Cavallo admitiu a possibilidade de não-cumprimento do déficit zero no terceiro trimestre, por causa da projeção de queda de 16% na arrecadação argentina neste mês. Também azedaram o ânimo dos players o anúncio feito anteontem à noite por Cavallo de que o swap da dívida externa argentina será feito sem garantias e com perdas aos investidores e a forte possibilidade de não haver a antecipação pelo FMI da parcela de US$ 1,260 bilhão prevista para dezembro.
Ontem à tarde, o risco Argentina ampliou sua escalada até 3.093 pontos base. O risco Brasil, nesse horário, estava em 926 pontos base queda de dois pontos ante o fechamento de anteontem (em 928 pb) e mais de três vezes abaixo do indicador argentino.
Bolsas O mercado acionário brasileiro iniciou os negócios com disposição de realizar lucros, a exemplo do que aconteceu nas praças internacionais. Ontem à tarde, teve um excelente pretexto para ir a fundo neste movimento, com as baixas no governo argentino.
A Bolsa de Buenos Aires perdeu o chão principalmente com a primeira notícia e levava um tombo de 5,29% às 18 horas. Mais discreta, e confirmando a idéia de descolamento, a Bovespa fechou em queda de 2,68%, com volume financeiro de R$ 658 milhões.
Juros Quanto às expectativas para a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), nada mudou. A maioria das instituições financeiras continua cravando suas fichas na manutenção da Selic, o juro básico da economia, nos atuais 19%.
Acredita-se que o Banco Central prefira observar mais um pouco, na sua cautela de sempre, o comportamento do dólar e da inflação, bem como o desenrolar da situação na Argentina, antes de se decidir por uma queda dos juros.(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


