Rio Grande do Sul vende soja transgênica
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quarta-feira, 26 de março de 2003
Agência Estado 
Porto Alegre Os agricultores do Rio Grande do Sul não esperaram a decisão do governo federal e já estão colhendo e comercializando soja transgênica desde segunda-feira. As cooperativas recebem o produto alegando não ter como separar o grão convencional do geneticamente modificado. O diretor da Ceagro Corretora de Mercadorias Ltda., Edemilson Antônio de Souza, estima que 20% da safra de 8,5 milhões de toneladas já foram vendidos. ''Para este volume não há notícia de que os compradores tenham feito qualquer exigência'', revela.
''A indefinição do governo não atrapalhou os negócios até agora'', constata o presidente de Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto. Tanto os agricultores quanto as indústrias lidam com o fato consumado de que não há como desprezar uma colheita que deve render US$ 1,7 bilhão ao agronegócio gaúcho. É certo que nem todo o volume é transgênico, mas não há como testar o produto colhido a cada descarregamento de caminhão.
O diretor de outra corretora, a Brasoja, Antônio Sartori, considera transgênica toda a soja não rastreada. Por esse raciocínio, 95% da oleaginosa produzida no Estado poderiam ser classificadas como geneticamente modificada. Para o presidente da Fecoagro, o porcentual é menor. ''A comercialização de sementes à época do plantio indicou que a soja não transgênica chega a cerca de 50% do total'', calcula.
Em toda a região noroeste do Rio Grande do Sul as cooperativas começaram a receber soja nesta semana. Os volumes ainda são pequenos e não atingem 1% do total previsto para a colheita. Souza, da Ceagro, revela que a corretora negociou 20 mil toneladas nos três primeiros dias da semana. A Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai Ltda. (Cotrimaio), de Três de Maio, recebeu 18 mil sacas das 3 milhões que deve comprar neste ano.
Bônus - Mesmo que a soja transgênica tenha se espalhado pelos campos gaúchos nos últimos anos, a Cotrimaio está apostando no produto convencional e criou um programa de rastreabilidade. O presidente da cooperativa, Antônio Wunsch, conta que 75% da produção dos 9 mil associados de 21 municípios são entregues com a certificação de que a soja não é geneticamente modificada.
Os agricultores que entregaram à Cotrimaio o grão convencional ontem receberam R$ 37,40 pela saca de 60 quilos, uma bonificação de 4% sobre os R$ 36,00 pagos a quem não conseguiu provar que sua soja não é transgênica. Souza confirma que há uma tendência de cotação maior, que varia de 2% a 4%, para o grão não-transgênico.


