São Paulo - Embora apresente taxas de crescimento anuais entre 30% e 50% desde 2000, o mercado brasileiro de produtos orgânicos ainda engatinha quando comparado ao de países como Alemanha, Estados Unidos e Japão. Mas o potencial que ele apresenta, seja em termos de produção, seja em capacidade de consumo, tem desviado as atenções do mundo para o Brasil, que sediará nesta semana, pela segunda vez consecutiva, a versão latino-americana da maior feira desse setor, a Biofach.
Realizada anualmente em Nuremberg, na Alemanha, a BioFach tem na versão latino-americana sua única edição fora da Europa. Sob responsabilidade da Planeta Orgânico, empresa cuja missão é compilar as desencontradas informações sobre esse mercado no País, a BioFach América Latina reúne no Rio de Janeiro, desde ontem até amanhã, 110 expositores, contra os 40 da primeira edição. A expectativa é movimentar, ao longo dos três dias de feira, mais de R$ 8 milhões.
''O mercado orgânico está crescendo em um ritmo enorme, que poderia ser ainda maior se a regulamentação estivesse mais clara, especialmente quando se trata de produtos de origem animal'', critica a diretora da BioFach América Latina, Maria Beatriz Martins Costa. ''Nossa expectativa é que a feira, por meio da conferência que ela abrigará, contribua para a resolução desse e de outros gargalos que impedem um desenvolvimento ainda maior do mercado orgânico brasileiro.''
Na opinião da executiva, mais do que a questão preço, o que dificulta um maior consumo de orgânicos entre os brasileiros é a falta de informação. Na tentativa de atenuar os reflexos negativos dessa dificuldade, a conferência contará com palestras como a do presidente da Associação de Consumidores Orgânicos do Paraná (Acopa), Moacir Darolt, sobre o ''Comportamento do Consumidor Orgânico'', ou do presidente da Fazenda Vale das Palmeiras, Marcos Palmeira, sobre ''Por que escolher produtos orgânicos.''
Como a falta de capacitação dos produtores é considerado o outro grande gargalo ao desenvolvimento desse setor, Maria Beatriz conta que o Planeta Orgânico tem um compromisso contratual com a organização da feira alemã de realizar pelo menos 40 palestras/seminários sobre o assunto ao longo de um ano. Além disso, a executiva conta que, durante a feira, o Sebrae realizará ações no intuito de reunir as mais de 15 certificadoras de produtos orgânicos existentes no País. Sem contar com o painel ''Desenvolvimento do Mercado Orgânico Brasileiro'' que acontecerá ao longo da conferência.

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