Rio assina acordo final para a Peugeot Citroen
France PresseNegócio FechadoO governador do Rio, Marcelo Alencar, e o presidente da PSA Peugeot Citroen, Jean-Martin Folz, comemoram a assinatura do acordo para a fábrica no Brasil dentro de um modelo Peugeot 404 conversível: primeiro carro brasileiro da marca roda em 2000O governo do Estado do Rio de Janeiro e a holding PSA Peugeot Citroen assinaram ontem no Palácio Guanabara o acordo final para a instalação da primeira montadora brasileira da empresa francesa, no município de Porto Real (a 160 quilômetros da capital, na região do Médio Paraíba). Segundo o presidente mundial da PSA, Jean-Martin Folz, os investimentos totais devem somar US$ 1 bilhão, com oferta de 2,5 mil empregos diretos e até 6 mil indiretos.
Serão US$ 600 milhões para a construção da fábrica - que vai operar em plataforma única na produção de automóveis populares inéditos da marca, com motor de 1.000 cilindradas ou menos -, provenientes de três fontes de origem: o próprio grupo francês, o governo brasileiro através do BNDES (com US$ 300 milhões) e o governo carioca, que entra com US$ 160 milhões, repassáveis pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundes). Além disso, serão gastos mais US$ 400 milhões para formar capital de giro e a estruturação da rede de concessionários.
O governo do Estado do Rio vai se beneficiar de R$ 100 milhões anuais de retorno em impostos. Não há privilégio nenhum no negócio, que foi amplamente avaliado pela Assembléia Legislativa, disse o secretário de Indústria, Comércio e Turismo do Rio, Márcio Fortes. Queremos ganhar dinheiro.
O acordo foi assinado pelo governador Marcelo Alencar e pelo presidente mundial do grupo PSA, Jean-Martin Folz, em ato que contou com a presença do embaixador francês no Brasil, Philippe Lecourtier, do ministro da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, além de representantes do BNDES.
A garantia dos recuros oriundos do BNDES foi dada na sexta-feira, quando a comitiva de Folz foi recebida em Brasília pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O financiamento do banco será feito com base em juros de 3,5% mais TJLP, o que significa em torno de 11% ao ano, reembolsáveis em sete anos depois dos primeiros quatro anos de instalação da planta da unidade.
A fábrica, que fica em frente à da Volkswagen (instalada no município de Resende, na divisa com Porto Real), vai ocupar uma área de 300 hectares e, desde já, os investidores dispõem de mais de 100 hectares para possíveis ampliações.
O primeiro carro da Peugeot Citroen fabricado no Brasil deverá rodar em 2000. O grupo pretende produzir inicialmente 15 mil veículos por ano, chegando a 2002 com 70 mil veículos por ano, em dois turnos de trabalho. Com três turnos, a fábrica terá capacidade para 100 mil no mesmo período.
Na entrevista coletiva dada por Folz depois da assinatura do acordo, o presidente mundial da PSA Peugeot Citroen, constituída em 1976, afirmou que a marca detém 37,6% do mercado francês e está presente no mundo na sétima posição entre as maiores montadoras, junto com a Fiat. Mas Folz recusou-se a fornecer o nome dos veículos que serão fabricados no Rio. Disse apenas que eles ainda não existem rodando em nenhum lugar.
Folz também se referiu à definição do Rio como sede, afirmando que o conjunto de viabilidades favoreceu francamente Porto Real. Para vir para o Brasil, a indústria foi o pivô da guerra fiscal entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. As obras da montadora, que ocuparão 130 mil metros quadrados, deverão ser iniciadas em abril, segundo fonte da PSA.
A implantação da Peugeot Citroen no Rio vem completar, segundo Folz, o parque industrial da marca na América do Sul, especialmente na Argentina, no Uruguai e no Chile. Na Argentina, a presença da Peugeot foi reforçada no ano passado, com a participação de 15% no capital da empresa Sevel. Este ano, a Peugeot vai fabricar os modelos Partner, e a Citroen, o Berlingo. Em 97 forma produzidos 44 mil veículos Peugeot pelo Grupo Sevel.
No Uruguai, Peugeot e Citroen consolidaram a montagem em 1996, com o ingresso na sociedade da Oferol. No Chile, a Peugeot fabricou 2,5 mil carros modelos 306 e 403 em 97. Com a unidade do Rio, o grupo pretende obter a fatia de 5% do mercado brasileiro até 2002.





