Curitiba - As pequenas empresas brasileiras devem ser preparadas para o excesso de regulamentação se quiserem participar do comércio livre que será criado com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O alerta é do conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Mauro Laviola, que esteve ontem em Curitiba participando do ''Fórum Alca - Uma Visão Internacional''.
De acordo com o consultor, a eliminação das tarifas de importação e exportação não significa que o mercado estará livre das regulamentações como as que são impostas pelos Estados Unidos, que vão continuar extremamente rigorosos com os registros dos produtos vendidos naquele país. Viola salientou que existem cerca de 2,4 mil produtos prontos para serem exportados que estão aguardando algum tipo de anuência prévia em vários órgãos, como Ministério da Saúde, Agricultura, Exército e até Polícia Federal.
O embaixador Luis Lauredo, diretor-executivo da reunião ministerial da Alca em Miami, presente ao encontro, admitiu que Estados Unidos são rigorosos e exigem o cumprimento das regulamentações. Mas lembrou que são as mesmas exigências feitas aos fornecedores norte-americanos e se as indústrias brasileiras conseguirem atender essas regulamentações, ''vão ganhar um mercado grande''. Porque segundo ele, todos os contratos de importação nos Estados Unidos são de grandes volumes.
O ''Fórum Alca - Uma Visão Internacional'' foi promovido pela Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap) e pela Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID). De acordo com o presidente da Faciap, Jefferson Nogaroli, o tema tem que ser discutido à exaustão entre os empresários e ele acredita que o consenso só vai ser obtido a partir das divergências. ''É uma estupidez achar que um acordo dessa natureza vai ser feito sem divergências e conflitos'', afirmou.
Conforme levantamento da Embaixada dos Estados Unidos, a Alca representará a maior área de livre comércio do mundo, com a participação de 34 países entre o Alasca à Terra do Fogo. O conjunto de países terá um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 14 trilhões, sendo que só o PIB dos Estados Unidos supera os US$ 10 trilhões. O embaixador Lauredo afirmou ''que a economia americana é a mais aberta do mundo porque compra produtos dos países em desenvolvimento e por isso pode aumentar o PIB dos países da América Latina em algumas centenas de bilhões de dólares''.
Com um discurso afinado, que soou como música aos ouvidos dos empresários, Lauredo, destacou que a formação da Alca deve ser mais técnica do que política. Segundo ele, a iniciativa deve ser dos empresários que vão ganhar com a abertura do mercado. Lauredo afirmou que as interferências políticas não estão contribuindo para a formação do bloco econômico. Segundo o embaixador se o Brasil aderir à Alca, ''poderá reduzir o desemprego, oferecer empregos mais qualificados, melhor remuneração aos trabalhadores e ainda reduzir as distorções na área de saúde e educação''.
Viola por sua vez, trouxe noções mais realistas para serem discutidas ao encontro. Para ele, as pequenas e médias empresas precisam ser preparadas pelas instituições públicas e privadas para participar da abertura de mercado. Por enquanto a prática do comércio exterior é elitista, sendo que 70% das exportações brasileiras são feitas por 500 empresas, enquanto 12 mil empresas são registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

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