O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o governo brasileiro está negociando com organismos internacionais e com os países mais ricos medidas contra a crise financeira internacional. Segundo ele, não haverá ‘‘uma operação de salvamento, mas uma operação preventiva’’.
Versão semelhante foi divulgada pelo porta-voz da Presidência, Sergio Amaral: ‘‘O que o Brasil está fazendo é trabalhar para não precisar de recursos internacionais, mas, ao mesmo tempo, fica satisfeito em saber que, na hipótese de a crise se agravar, existe a disposição de apoio do FMI aos países latino-americanos’’.
Foi a primeira vez que autoridades do governo falaram abertamente dos entendimentos com o FMI e outros organismos internacionais. Durante todo o dia de ontem, Malan recebeu representantes de bancos estrangeiros. No início da tarde, o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, hoje no banco de investimentos Merrill Lynch, disse, após encontro com Malan, que o FMI e o G-7 (grupo dos sete países mais ricos) discutem um ‘‘acordo-quadro’’ com a América Latina. O acordo, disse, não segue os padrões clássicos do FMI, pois não prevê um receituário ditado pelos credores, e tem um caráter preventivo. ‘‘É diferente do que foi aplicado na Ásia e na Rússia, é um arcabouço preventivo para evitar que a crise contagie a América Latina’’.

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