O grupo dos países mais ricos do mundo, o G-7, anunciou ontem em Londres injeção extra de US$ 90 bilhões no FMI (Fundo Monetário Internacional), entre outras medidas para fortalecer o sistema financeiro internacional. O Brasil deverá ser o primeiro país beneficiário das mudanças a serem implementadas. O G-7 decidiu criar uma linha emergencial de crédito do Banco Mundial para ‘‘os grupos de países mais vulneráveis’’ e para a reestruturação do sistema financeiro.
Os ministros das finanças dos sete países e os presidentes dos respectivos bancos centrais enfatizaram que a grande preocupação mundial, hoje, não é mais a volta da inflação, mas o baixo crescimento da economia global. Foram anunciadas ainda propostas para a adoção de códigos de conduta internacional no setor financeiro, que garantam mais transparência nas transações e que impeçam crises como a da Ásia.
Grande parte das medidas, anunciadas pelo ministro britânico Gordon Brown (Finanças) depois de vários contatos por telefone com seus colegas dos outros países, ainda estão em fase inicial. Grupos de trabalho começarão a definir o que ele chamou de ‘‘a nova arquitetura para o sistema financeiro mundial do século 21’’.
As propostas serão alvo de mais discussões entre os países do G-7 (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Japão). Alemanha e França defendem a adoção de regras mais rígidas sobre o controle do fluxo de capital mundial, sugestão refutada pelos EUA e pelo Reino Unido, que preside as reuniões do G-7 neste ano.
Não ficou claro quanto desses US$ 90 bilhões irá para os programas do FMI já existentes e quanto irá para os novos. Segundo Gordon, está previsto o fortalecimento das reservas de uma linha de crédito de curto prazo que atenda os países que estejam adotando políticas econômicas aprovadas pelo Fundo.
O programa de ajuste fiscal brasileiro foi citado pelo ministro como sendo um dos sinais positivos, em meio a um período de dificuldades para a economia mundial. Brown disse que os US$ 90 bilhões deverão ser disponibilizados ‘‘o mais rápido possível’’, com contribuição do setor privado.
Cada um dos 182 países-membros do FMI tem uma cota de participação. O G-7 responde pelas maiores parcelas, sendo a dos EUA, de quase um quinto, a maior. A injeção do G-7 virá via elevação das cotas. ‘‘Nesse novo interdependente mercado global, precisamos criar sistemas de supervisão, transparência, regulamentação e estabilidade tão sofisticados quanto os mercados com os quais eles irão trabalhar’’, disse Gordon.
Foi anunciada a necessidade de se estabelecer um código de conduta para bancos privados e empresas limitarem seu grau de alavancagem. Outro objetivo é tornar mais visíveis os perigos de certas negociações no mercado financeiro internacional.
O G-7 quer que instituições financeiras internacionais coordenem entre si suas atividades e troquem informações com mais regularidade, visando reduzir os riscos de uma crise mundial. Os próprios países do G-7 se comprometeram a adotar códigos de conduta.

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