Rico investe em prevenção; pobre, em remédios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de outubro de 2007
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Perfil das Despesas no Brasil, divulgado recentemente pelo IBGE, mostra que as famílias mais ricas no País investem mais em planos de saúde e prevenção, enquanto os mais pobres destinam grande parte do que usam em assistência à saúde para a compra de remédios. Medicamentos comprometem 76% dos gastos com saúde das famílias mais pobres (renda até R$ 400,00), fatia que para as mais ricas (acima de R$ 3 mil) representa 23,7%.
O trabalho também detalha que as despesas com planos e seguros de saúde entre as famílias mais pobres representam 7% do total destinado à sa© úde. Nas famílias com renda acima de R$ 6 mil, a fatia usada para pagamento destes planos chega a 37,19%. ''Quem se previne e pode gastar com saúde no País? Só os ricos. Os pobres ficam refém da disponibilidade financeira, que não têm, e demanda serviço público'', disse a socióloga e técnica do IBGE Lilibeth Cardoso Ferreira.
De forma geral, os dados da saúde também refletem a desigualdade de renda e gastos entre as famílias brasileiras. Basta ver que o grupo das famílias 40% mais pobres gastam R$ 63,49 ao mês com assistência à saúde por mês, enquanto os gastos das famílias 10% mais ricas têm gastos de R$ 432,67 mensais.
Chama a atenção, também, que o gasto mensal médio das famílias mais ricas com plano de saúde é de R$ 150,28, enquanto o gasto das mais pobres fica, na média, em R$ 2,70 por mês.
O IBGE informa que os orçamentos familiares dos grupos mais ricos ''privilegiaram investimentos no acompanhamento e monitoramento das condições de saúde de seus membros''. Já ''pobres não têm planos e seguros de saúde, apontando para necessidades imperiosas de serviços públicos que tenham atendimento e resolutividade desse contingente populacional''.
O IBGE também calculou que as famílias mais pobres pagam com recursos próprios 44,1% do que consomem em assistência à saúde - o restante é prestação pública ou doações, basicamente. Já dentre os mais ricos, a fatia paga com recursos próprios salta para 86,9% dos gastos.
Participação no total - Em linhas gerais, a proporção de gastos com saúde é relativamente baixa no País. ''As despesas com assistência à saúde, nas diferentes classes de renda, se mantiveram entre 4% e 6%, demonstrando que as decisões sobre despesas familiares com assistência à saúde não tiveram lugar destacado, o que é um forte indicador das prioridades ou reais necessidades de consumo das famílias'', registra o trabalho.
Assim, o levantamento do IBGE conclui que os gastos para ''morar'' e ''alimentar-se'' nas classes de renda mais baixas corresponde a quase 70% das despesas mensais. Os mesmos gastos para os mais ricos representam apenas 31,8%, porque têm uma abrangência de consumo maior.


