Ribeirão não consegue votar venda de telefônica
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Agência Estado 
A votação sobre a privatização da Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto (Ceterp), prevista para a manhã de ontem, foi adiada pela segunda vez. O presidente da Câmara, Leopoldo Paulino (PSB), decidiu desconvocar a sessão depois de ser informado que o juiz Luís Augusto Freire Teotônio havia concedido liminar contrária à sessão no plantão judiciário do domingo. Na quinta-feira passada, a sessão ordinária foi cancelada por causa de um tumulto no plenário. Uma terceira tentativa deve ser feita na próxima terça-feira.
A liminar foi pedida pela vereadora Joana Leal Garcia (PT), que alegou que a votação extraordinária estaria ferindo preceitos da lei orgânica. Ela disse que o presidente da Câmara não poderia fazer uma convocação extraordinária fora do recesso parlamentar e que a sessão não teve data e horário publicados no Diário Oficial do município. Estão querendo fazer as coisas às pressas, disse a Garcia.
A vereadora faz parte da ala contrária à privatização da telefônica junto com outros vereadores do PT, o PSB e parte do PFL. Formam a bancada privatista o PSDB do prefeito Luís Roberto Jábali, PMDB e outra parte do PFL. O próprio presidente da Câmara, contrário à venda, diz que o projeto deve ser aprovado porque a maioria dos 21 vereadores está a favor.
A pressa em votar a privatização, e que tem levantado polêmica em Ribeirão, se deve a projeto do prefeito Jábali, enviado à casa com pedido de urgência urgentíssima. Ele argumenta que a companhia poderá perder valor se for vendida após a privatização do Sistema Telebrás ou tornar-se uma empresa sem condições de concorrer no mercado com a iniciativa privada.
A Ceterp é uma companhia municipal de telefonia - como a Sercomtel, de Londrina - e não teria agilidade para atuar num mercado privatizado, segundo seu presidente, Ruy Salgado Ribeiro. Empresa pública só sobrevive num cenário de monopólio, defende.
Ele lembra que, depois de privatizada a Telesp, a telefônica de Ribeirão teria de ser vendida para o consórcio vencedor na privatização da estatal ou para a Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC), empresa privada que atende municípios vizinhos.


