Ribeirão Claro pede suspensão de cobrança de sobretaxa na Justiça
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Vânia Casado <br> De Curitiba 
O movimento oposicionista ao processo de privatização da Copel teme a queda no ágio da Copel. Eles acham que o recente atentado terrorista em Nova York vem agravar ainda mais o quadro econômico que já não era favorável à venda da estatal, cujo leilão será realizado no dia 31 de outubro. Conforme os analistas financeiros, o fluxo de capitais externos tende a reduzir diante das incertezas da economia internacional e os investidores a se refugiarem em ativos reais, como o ouro e dólar.
O presidente do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Nelton Friedrich, fala até em responsabilizar penalmente o governo do Estado de ''crime político contra a economia do Paraná'', caso o preço de venda da estatal fique muito abaixo do esperado. O valor mínimo da estatal foi fixado em R$ 4,5 bilhões e o mercado esperava um ágio de até 15%. Com os últimos acontecimentos como o atentado terrorista e nova escalada do câmbio, o mercado está revendo essa projeção para 10%.
Para o consultor João Carlos Cascaes, ex-presidente da Copel, o momento econômico atual não é indicado para o leilão de privatização. Segundo ele, o governo teria vendido a empresa muito melhor há dois ou três anos atrás, quando o cenário econômico era mais favorável. ''Perdemos o melhor momento'', afirma.
Cascaes lembra que os analistas financeiros estão toda hora na televisão, avisando que a situação econômica pode se agravar ainda mais nos próximos dias. Estamos na iminência de um conflito sério no mundo, onde Estados Unidos e países árabes já tomam posições e o cenário dos negócios exige prudência. ''Portanto, até o final de outubro o momento de venda da Copel pode ser menos adequado ainda.''
Para o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, os fatores que estão condicionando a venda da Copel agora é o aumento da demanda de energia no País. ''Pelo que sei esse segmento não foi afetado pelos últimos acontecimentos no mundo e o ágio esperado deve ser mantido'', justifica. Em relação à posição do governo federal que colocou o pé no freio no processo de privatização de Furnas, Guerra, salienta que o poder central é o primeiro a estimular o governo do Paraná a acelerar o processo de venda da Copel. O secretário diz que o governador sabe que a medida é impopular, mas lembra que está fazendo isso para corrigir erros de administrações passadas.


