Riad tenta consenso com os consumidores sobre preços
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
France Presse De Riad 
O primeiro país exportador mundial de petróleo, Arábia Saudita, tenta promover um consenso sobre a banda de preços que utiliza atualmente a Opep para fixar sua política de produção, segundo se entendia ontem de fontes oficiais em Riad, na véspera do sétimo forum da energia.
Esperamos conseguir durante este fórum um acordo sobre uma banda de preços que convenha tanto a produtores como consumidores, disse o ministro saudita do petróleo, Ali al-Nuaimi, na véspera da inauguração, à qual irão países consumidores e produtores.
Nuaimi descartou contudo um aumento da produção da Opep a curto prazo, apesar de o preço do barril não sair dos US$ 30 há meses, seu nível mais alto desde a guerra do Golfo de 1991.
Segundo os especialistas, essa alta dos preços se deve antes de tudo à tensão criada pelo escasso nível das reservas nos países consumidores, e não a uma penúria da oferta nos mercados.
Fontes européias indicaram por sua vez que a Opep proporá durante o Fórum um texto que prevê um preço de referência entre US$ 20 e US$ 23 o barril para o período 2000-2010.
Isso representa um nível situado na parte baixa da banda de preços de US$ 22 a US$ 28 por barril fixado em março pelo cartel. Os dirigentes dos 21 países membros do forum de cooperação econômica regional da Ásia-Pacífico (Apec), que estará representado como tal na conferência de Riad, lançaram um apelo à estabilidade dos preços durante sua cúpula que terminou quinta-feira.
Para não pôr em perigo a forte recuperação das economias asiáticas, depois da crise de 1997, a cúpula solicitou aos países produtores (entre os quais alguns membros da Apec, como México, Indonésia ou Rússia) a tomarem medidas para incrementar a produção.
A estabilidade a longo prazo dos preços interessa tanto a consumidores como produtores, lembraram os líderes da Apec. O diretor-executivo da Agência Internacional da Energia (AIE), Robert Priddle, defensor notório dos interesses dos países consumidores, advertiu em Riad quinta-feira que a manutenção dos preços do petróleo em um nível elevado pode prejudicar a economia mundial.
Venda livreO diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), David Zylbersztajn, criticou ontem o deputado federal Luiz Antonio Fleury (PTB-SP) pela tentativa de anular a portaria que obriga os postos de gasolina a só vender combustíveis das suas distribuidoras.
O deputado, segundo Zylbersztajn, pediu nesta semana urgência para votação de um decreto legislativo que anula essa portaria e também uma outra que estabelece limites para a adição de benzeno e chumbo na gasolina. Esgotamos nossa capacidade de diálogo e confiança com o deputado, disse o diretor-geral da ANP.


