Mauro Frasson

Vendido!Leilão que a RFFSA realizou ontem em Curitiba; na foto de cima, colecionadores arrematam sinos que estavam nas estações de trem no Paraná e Santa CatarinaA Rede Ferroviária Federal (RFFSA) fez ontem o primeiro leilão de uma série de mais quatro até dezembro para começar a se desfazer do patrimônio da empresa nos Estados do Paraná e Santa Catarina. O leilão deveria render R$ 2 milhões em materiais inservíveis (trilhos, dormentes, sinos e automóveis) e mais R$ 8 milhões em pequenos imóveis. A venda dos bens será feita em etapas nos próximos cinco anos. As demais regionais da RFFSA estão adotando o mesmo procedimento para abrir mão do patrimônio.
A RFFSA, que foi privatizada em todo o País através da concessão dos servidos para grupos privados, precisa vender os bens para pagar impostos atrasados e dívidas trabalhistas. A antiga estatal deixou como herança uma dívida de R$ 2,5 bilhões.
As vendas renderão R$ 4 bilhões, em todo País. ‘‘O dinheiro é para quitar os débitos, que se reajustam a cada mês. O que sobrar será repassado para o Ministério dos Transportes’’, afirmou o chefe do Escritório Regional da RFFSA, Paulo Sidnei Ferraz. O patrimônio colocado à venda pela regional está avaliado em R$ 400 milhões.
O restante do patrimônio, que totaliza R$ 1,6 bilhão, está arrendado para a Ferrovia Sul Atlântico, consórcio que ganhou a concessão do transporte de carga na Malha Sul. Do patrimônio total, R$ 300 milhões são imóveis e R$ 100 milhões em materiais.
Dentro de dois meses, a RFFSA deve se desfazer da Usina Hidrelétrica de Marumbi, na Serra do Mar. A hidrelétrica está em processo de avaliação, mas o preço estimado é de R$ 3 milhões. Os 40 alqueires que pertencem à Usina de Tratamento de Madeira, instalada em Ponta Grossa, também serão vendidos neste ano. Os 650 alqueires do horto florestal de Araquari (SC) serão colocados à venda em dois meses.
A RFFSA tem ainda um cronograma de vendas para o próximo dia 15 de setembro. Serão vendidas 28 casas da Vila Ferroviária de Maringá, conforme edital publicado no domingo pela Folha. Outras 20 casas da Vila Ferroviária de Londrina serão vendidas no dia 30 de setembro. A empresa vende ainda um apartamento em Maringá e uma chácara em Ourinhos (SP). Será publicado ainda edital para venda de 206 lotes em Ponta Grossa.
No caso do leilão de ontem, participaram dos arremates cerca de 500 pessoas. Os trilhos foram comprados para ser usados na construção civil. Parte das quatro mil peças de dormentes foram arrematadas pela Prefeitura de Camboriú, que vai utilizá-los no Zoológico da cidade. Os 20 sinos leiloados foram para colecionadores. A RFFSA guarda um estoque de 100 sinos para serem colocados nos Museus Ferroviários de todo o País.

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