As empresas prestadoras de serviços pessoais e os proprietários de imóveis e especuladores são os campeões de sonegação de Imposto de Renda (IR) detectados pela Receita Federal, nas categorias de pessoas jurídicas e físicas. Segundo dados levantados pela Receita, as 22.309 empresas do ramo que entregaram o IR movimentaram R$ 9 bilhões em 1999, quase seis vezes mais a receita declarada de R$ 1,5 bilhão. Proprietários e capitalistas deram um rasteira maior no leão. Mais de 1,387 milhão desses contribuintes que declararam um total de rendimentos de R$ 40,9 bilhões movimentaram, na verdade R$ 413 bilhões durante o ano, uma quantia dez vezes superior à informada à Receita.
Com bases nesses dados divulgados ontem, a partir do cruzamento de informações do IR com a arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a Receita Federal quer reforçar a defesa da proposta que facilita a quebra de sigilo bancário que permitiria a apuração de rendimentos de contribuintes.
Com essa medida, incluída na lista de possíveis fontes de receita para financiar o aumento do salário mínimo para 180 reais, a Receita prevê uma arrecadação bruta excedente de até R$ 11 bilhões.
Depois dos capitalistas e proprietários de imóveis, os titulares de microempresas são os que apresentam declarações de rendimentos mais discrepantes com os números da movimentação financeira (8,5 vezes acima da renda declarada). Em seguida, estão os médicos, dentistas e farmacêuticos.
Os 443.566 contribuintes dessas profissões movimentaram em 1999 R$ 104,7 bilhões, enquanto declararam à Receita rendimentos totais de R$ 20,4 bilhões. Os advogados, corretores e leiloeiros são os próximos da lista da Receita. Dos 38,5 milhões de contribuintes pessoas físicas, são declarados à Receita rendimentos de R$ 314,3 bilhões, enquanto a CPMF acusa uma movimentação de R$ 1,69 trilhão.

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