Cerca de 40 fiscais da Receita Federal estão realizando uma operação especial na Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Foz do Iguaçu, na tentativa de evitar a passagem de cargas com documentos fraudados e também identificar falhas no trabalho interno dos auditores.
A operação ‘‘Espantando o Frio’’ (alusão aos documentos frios muitas vezes identificados durante o despacho das mercadorias) começou ontem e, segundo o coordenador Sérgio Lorente, não tem data para acabar. ‘‘Vamos apresentar um relatório geral amanhã (hoje) e decidir se iremos ou não estender o trabalho’’, disse Lorente, enviado da delegacia da RF de Uruguaiana (RS) para conhecer o sistema de fiscalização realizado em Foz.
A cidade gaúcha também está localizada próxima a uma tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Uruguai). A equipe está ampliando as vistorias (muitas vezes feitas por amostragem), conferindo e comparando certificados de origem e tentando agilizar a liberação dos 600 caminhões que passam pela estação, em média, todos os dias.
Para o delegado da RF em Foz, Mauro de Brito, o principal objetivo do ‘‘pente-fino’’ não é fazer grandes apreensões, mas sim melhorar a fiscalização e circulação das mercadorias. ‘‘Encontramos algumas falhas no sistema e queremos aperfeiçoar o modelo que usamos’’, comentou Brito sem detalhar os erros identificados. Somente no mês passado, a Eadi em Foz registrou o equivalente a US$ 57 milhões em produtos tipo exportação. Outros US$ 43 milhões vieram dos países do Mercosul para o Brasil, passando pelas aduanas paraguaia (Foz/Ciudad del Este) e argentina (Foz/Puerto Iguazú). No primeiro semestre deste ano, as importações que passaram pela cidade totalizaram US$ 283 milhões, enquanto que as exportações atingiram US$ 377 milhões.
Ainda segundo o delegado, o problema mais comum encontrado nas documentações apresentadas pelas empresas de transporte é a falsa declaração de conteúdo. ‘‘Já houve casos registrados aqui em que a nota dizia ‘‘óleo combustível’’, mas no tanque do caminhão foi encontrado solvente. Em outras situações, as empresas são beneficiadas com o canal verde’’, explicou Brito, referindo-se ao Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex), que libera cargas sem qualquer vistoria, baseado na ‘‘idoneidade’’ das empresas.

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