Revolução tecnológica no campo
Verificando o crescimento do Centro Oeste brasileiro quer no cultivo do soja, do milho e, mais recentemente, do algodão, temos que enaltecer o trabalho desenvolvido principalmente por gaúchos e paranaenses na evolução tecnológica do plantio e reestruturação completa imposta a todos os setores da cadeia produtiva.
Este mesmo Centro-Oeste, em muitas ocasiões esquecido, tornou-se o oásis da agricultura brasileira e, mais recentemente, tomou a dianteira do Paraná na produção do soja, conquistando também o primeiro lugar na produção do algodão, no caso do Mato Grosso.
Temos que destacar também a revolução imposta à tecnologia como os meios de pesquisa considerados de ponta por todos os setores mundiais, tendo na Embrapa o carro-chefe de todos os procedimentos.
Verifica-se também terras verdadeiros areais até então esquecidas, e terras de campo se valorizando com as altas produtividades conquistadas a partir do segundo ano de plantio beirando a casa de 3.600 quilos por hectare, no caso do soja, e de 300 arrobas no caso do algodão.
A cadeia produtiva, principalmente no soja e algodão, está instalando-se no eixo Cuiabá-Goiânia. Partindo-se do princípio da produção e da viabilidade econômica regional, instalou-se o sonho do transporte por hidrovia, já em operação, objetivando baixar os custos e concorrer de frente com os demais custos brasileiros na produção de grãos e, por conseguinte, galgando fileiras de exportação.
Dentro desta cadeia produtiva, podemos citar os caminhoneiros e o consumo da categoria que passam pela indústria de automóvel, petrolífera, locais de trânsito e pelos empregos diretos que deixam a cada local visitado.
Por outro lado, cada compartimento que será utilizado no transporte do soja retirará de circulação do Centro Oeste para os portos brasileiros, nada mais nada menos, do que 100 caminhões, tendo em vista a capacidade desses compartimentos, entre 2.500 e 3.000 toneladas.
Estamos diante de uma revolução tecnológica no campo auferindo grande produção e também com uma introdução nos meios de transportes considerada uma das mais baratas do mundo, porém com efeito colateral imenso em toda a economia.
Se o transporte de 90% deste soja, vindos do estado de maior produção (Mato Grosso), for realizado por hidrovia, os caminhoneiros não terão os serviços disponibilizados para gerar riquezas diretamente aos seus proprietários e também a todos que dela dependem.
Está na hora de nos preocuparmos, mas não com revolução imposta pelo Centro-Oeste ou com a produção e, muito menos, com a instalação do novo meio de transporte e, sim, com uma forma de opção de novas atividades ou, quem sabe, tentar desenvolver outra região objetivando minimizar os grandes problemas que a tecnologia indispensável causará nos próximos anos.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina
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