Revisão do PIB mostra crescimento
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sexta-feira, 22 de junho de 2001
Agência FolhaDo Rio de Janeiro 
A primeira revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do País mostrou uma economia ainda mais forte no primeiro trimestre do ano, período que não sofreu com a crise energética, a influência argentina e as consequentes disparadas do dólar e dos juros.
O PIB, que reflete o ritmo de geração de riquezas do País, subiu 4,47% no ano fictício encerrado em março, apesar das duas elevações consecutivas da taxa de juros básica da economia promovidas já naquele mês pelo Banco Central. O novo resultado ficou ligeiramente acima dos 4,38% conhecidos até agora.
A revisão do cálculo também jogou para cima o PIB trimestral na comparação com igual trimestre do ano passado. A alta foi de 4,13% (antes era 3,77%), o que resultou, em valores, num PIB de R$ 279,6 bilhões no primeiro trimestre do ano. O novo cálculo do PIB trimestral foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Haverá outras revisões. Informações da produção pecuária, por exemplo, ainda são preliminares. Dados mais precisos do comércio exterior também são enviados com atraso, explicou o chefe do Departamento de Contas Nacionais Trimestrais do instituto, Roberto Olinto. O que justificou a alta (do PIB) na revisão foi o item impostos sobre o produto, que recebeu um melhor tratamento, explicou Olinto.
No mais, a tendência conhecida se manteve: a indústria puxou a economia, com crescimento de 5,09% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Em segundo lugar, está a área de serviços, com 2,76%, seguida de agropecuária, com 1,82%.
Sem contar ainda os possíveis efeitos da última alta dos juros, que chegou a 18,25%, promovida esta semana pelo BC, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao governo, já havia revisto sua projeção de crescimento do PIB para este ano de 4% para 3%, por causa do efeito do racionamento de energia.
Paulo Levy, coordenador do Grupo Conjuntura do Ipea, disse que não é certa uma nova revisão do PIB por causa dos juros. Não sei ainda se vamos rever porque os juros de longo prazo caíram depois da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a Selic, explicou.
Segundo Levy, a elevação da taxa básica da economia, a Selic, gerou expectativas de que a inflação vai cair. Além do mais, completou, o BC colocou os juros em 18,25% com viés de baixa, sinalizando que a subida é temporária.
Obviamente que a trajetória dos juros este ano vai ser mais alta do que aquela com a qual a gente vinha trabalhando, mas, mais importante do que o efeito dos juros, continua sendo o (efeito) da crise energética. Aí estão as maiores incertezas.


