Revisão de nota da Copel tem erros grosseiros
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terça-feira, 16 de julho de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A agência de risco Moody's colocou ontem sob revisão, para possível rebaixamento, os ratings da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que atualmente é considerada uma empresa de baixo risco no Brasil e de risco médio no mercado internacional. Para analistas de investimentos, a revisão é apenas resultado do aumento do risco-país e não reflete a real situação da estatal paranaense.
De acordo com o material divulgado pela Moody's, a revisão dos ratings ''reflete as preocupações acerca da habilidade da Copel em executar seu programa estratégico, face às dificuldades do mercado financeiro no Brasil''. A agência informa que na revisão levará em conta as limitações de crédito vigente no Brasil e a posição financeira do Paraná, controlador da Copel. A Moody's faz um equívoco: afirma que o Paraná faz parte da Região Sudeste.
O analista de investimentos Mohamed Talah Júnior disse que todas as empresas brasileiras que negociam papéis no exterior terão suas avaliações revistas. ''Isso não quer dizer que a empresa está mal. Apenas estão atualizando o risco-Brasil'', afirmou. Para ele, as análises de risco são feitas por pessoas que não conhecem direito o Brasil. O lucro líquido da Copel entre janeiro e março deste ano foi de R$ 141 milhões, quase cinco vezes mais que no mesmo período de 2001, que foi de R$ 30 milhões.
Segundo Talah, a revisão do rating da Copel vai interferir na taxa de juros que a empresa terá que pagar para contrair empréstimo. Ele disse que o valor das ações não deve mudar. ''O papel já está bastante subavaliado'', observou. A ação ON da Copel estava cotada ontem entre R$ 10,80 a R$ 11,00 na Bovespa. ''Na Bolsa de Madri, a ação equivalente está R$ 15,00'', disse.
O vice-presidente de Planejamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef), Frank Arthur Romanoski, também disse que a Moody's cometeu um equívoco. ''No primeiro semestre a Copel já fez a reestruturação de sua dívida, com a emissão de eurobônus e debêntures em torno de R$ 500 milhões. A situação é muito confortável'', afirmou.
Segundo ele, se a Copel for rebaixada pela Moody's, as notas de todas as empresas do setor elétrico terão que ser revistas porque a Copel tem o menor nível de endividamento.


