A balança comercial brasileira registrou em fevereiro um déficit de US$ 85 milhões, resultado de exportações de US$ 3,715 bilhões e importações de US$ 3,8 bilhões. O déficit anunciado anteriormente, antes de feita a revisão dos registros de importação, era de US$ 214 milhões. ‘‘É o melhor resultado desde maio de 96’’, comemorou ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Naquele mês, a balança obteve um superávit de US$ 268 milhões. Desde então, vem acumulando déficit após déficit.
Segundo o secretário, a desaceleração na atividade econômica e a queda nos preços internacionais de petróleo ajudaram a diminuir as compras do Brasil no exterior. Por outro lado, cresceram 25,08% as vendas de produtos manufaturados brasileiros no mercado internacional, sobretudo em mercados até agora pouco explorados, como a União Européia.
Esta é também a primeira vez em 15 meses que a taxa de crescimento anualizada das exportações é maior do que a aceleração das importações. Nos 12 meses anteriores a fevereiro de 98, as exportações cresceram 12,8%, comparadas com igual período do ano anterior. Enquanto isso, as importações cresceram 11,8%.
‘‘Essa é uma tendência que se verifica desde o final do terceiro trimestre de 97, quando se observa um arrefecimento no ritmo de crescimento das importações’’, comentou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT), Maurício Cortes. ‘‘Esse dado é consistente com a análise que vem sendo feita pelo mercado e pelo governo, de que o resultado comercial deste ano será melhor’’, acrescentou Mendonça.
Em março, porém, não se deve esperar um resultado melhor do que o de fevereiro, segundo admitiram Mendonça e Cortes. ‘‘Por um fenômeno cuja explicação desconhecemos, desde julho do ano passado tem acontecido o seguinte: um mês tem resultado melhor do que o esperado e, no mês seguinte, fica pior do que o esperado’’, disse Mendonça.
Ele informou que os dados colhidos até o momento mostram um resultado pior do que o esperado para março, porque as exportações estão menores do que o previsto - provavelmente, por causa do atraso nos embarques de grãos. ‘‘Se for isso mesmo, então teremos um bom resultado em abril, quando a safra entrar’’, afirmou.
Mendonça explicou que o desempenho de março não está sendo influenciado por nenhuma mudança no perfil das importações, que seguem dentro do projetado. ‘‘Ninguém deve se impressionar com o resultado de março, assim como esse de fevereiro também não quer dizer muita coisa; o importante é a tendência’’, disse.
O resultado de fevereiro mostra, na opinião de Mendonça, duas tendências importantes: o aumento da exportação de manufaturados e a diversificação de mercados importadores de produtos brasileiros. Comparando com fevereiro de 97, as vendas de manufaturados cresceram 25,08%, puxadas por um crescimento de 237,74% nas vendas de automóveis, de 93,48% nas exportações de veículos de carga e de 130% nos embarques de avião. Além disso, houve um aumento de 800% nas exportações de açúcar refinado.
A estratégia de fazer do Brasil uma base para a produção dos chamados carros mundiais já mostra reflexos na balança, com o crescimento dos embarques para mercados pouco tradicionais, como Venezuela, Chile, México e Peru, além de mercados europeus, como Alemanha, França, Itália, Portugal e Suíça. No primeiro bimestre do ano, as vendas de automóveis cresceram 244,8%, na comparação com igual período de 97. Só para a Itália, as exportações saltaram de US$ 2 milhões para US$ 88 milhões.
São, segundo explicou Mendonça, os embarques do Palio, da Fiat, e de outros modelos produzidos só no Brasil, como a Fiorino. A Itália foi, por isso, o principal mercado comprador de carros brasileiros em janeiro e fevereiro. Isso mostra, segundo o secretário, que o País está diversificando sua carteira de clientes. Neste primeiro bimestre de 98, a União Européia desbancou a Ásia da posição de principal mercado para os semimanufaturados brasileiros.
As vendas de açúcar refinado cresceram em função de novos mercados na África e no Oriente Médio. No primeiro bimestre do ano, as vendas para essas regiões cresceram 179,6%. Houve também um aumento de 147,7% das vendas de açúcar bruto, em função da quebra da safra de beterraba na Rússia e em seus mercados fornecedores: Cuba e Ucrânia.
Por outro lado, exportações tradicionais do Brasil, como soja e calçados, apresentaram queda no bimestre. As vendas de soja caíram 37,5%, por causa do atraso na comercialização da safra. As vendas de calçados tiveram retração de 6,3%. Só para os Estados Unidos, principal mercado do produto brasileiro, a queda foi de 3,2%.

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