Revendedores de gás GLP do Paraná irão impetrar ação judicial nesta semana contra as distribuidoras. A medida pretende impedir o quarto reajuste do produto desde o início do ano. Desta forma, o varejo não poderia repassar o aumento aos consumidores nem absorver o custo, uma vez que as margens de lucro já seriam pequenas. Nestes cinco meses, o custo unitário aos revendedores teria subido R$ 4, elevando o preço do botijão ao consumidor a uma média de R$ 36 a R$ 37 no Estado. Para o Sindicato Nacional dos Distribuidores de Gás (Sindigás) o impasse poderia ser resolvido apenas com conversas.
Nos últimos dois anos o consumo de GLP caiu 5% no País. O fraco desempenho seria resultado de uma soma de fatores, como a mudança de hábitos dos consumidores - como a utilização de fornos micro-ondas, troca de refeições por lanches e alimentação em refeitórios de empresas - e a concorrência com o gás natural. O mercado de GLP é livre mas, segundo o Sinregás-PR, a Petrobras não reajusta o custo do produto há seis anos. ''Eles (distribuidores) podem repassar o aumento, mas há limites para o mercado até onde o consumidor pode suportar. Os revendedores estão indignados, revoltados com as distribuidoras'', diz.
Segundo ele, 5 distribuidores detêm 93% do mercado nacional enquanto, somente no Paraná, são mais de 3,5 mil revendedores. ''Como a concorrência no varejo é muito acirrada, fica fácil forçar um aumento de preços'', avalia. No início do ano o custo do botijão de 13 quilos aos revendedores variava entre R$ 23 e R$ 26 no Estado, conforme a região e o volume comercializado. Agora, o custo subiu para R$ 25 a R$ 29. Desta forma, o preço médio ao consumidor tem ficado entre R$ 36 e R$ 37. ''O custo de revenda por botijão é de R$ 7,50, não sobra nenhum lucro. Os revendedores estão sufocados, entraram na fase de desespero e temem até perder o seu negócio. Este último reajuste foi a gota d'água'', comenta.
Inclusive, segundo o presidente, já haveria inadimplência de revendedores com as companhias. Rocha acrescenta que algumas distribuidoras têm realizado práticas ilegais contra os revendedores, na tentativa de eliminar o varejo. ''Eles (distribuidores) sobem os preços e depois oferecem diretamente aos consumidores (como restaurantes, shoppings e indústrias) preços mais baixos do que os comercializados com os revendedores'', afirma. Segundo o presidente do Sinregás, praticamente todas as distribuidoras adotam esse procedimento, porém, em regiões diferentes.
O proprietário da Jaqueta Gás, Leonilso Jaqueta, disse que depois do quarto reajuste imposto pelas distribuidoras não conseguiria repassar aos seus consumidores. ''Eles (distribuidores) têm que voltar atrás porque ficamos (revendedores) como vilões. Todos estão perdendo margem de lucro e isto está achatando o varejo e pode aumentar ainda mais o número de empresas clandestinas'', observa.

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