Revendedoras não acompanham indústria
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quinta-feira, 07 de abril de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os revendedoras de veículos automotivos não conseguiram acompanhar o mesmo desempenho da indústria do setor que, empurrada pelo crescimento da exportação, em março registrou resultados recordes em sua produção. Das 218.573 unidades produzidas pelas montadoras brasileiras, 149 mil, o correspondente a 68% do total, foram comercializadas no mercado interno. Enquanto a indústria conseguiu superar seu recorde anterior, de outubro de 1997, com a produção de 211 mil unidades, as revendedoras acreditam que ''nem nos próximos cinco anos'' conseguirão superar o recorde de 1997, quando foram vendidos 1,970 milhão de veículos no País.
Em 2004, concessionárias de todo País venderam 1,479 milhão de automóveis e comerciais leves. A expectativa é que este ano haja um aumento de 5,5% nas vendas, chegando à marca de 1,6 milhão de unidades vendidas. ''Esses números são considerados bons, só foram superados em 97'', avalia o presidente Nacional do Conselho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Assis Augusto Pires, que esteve ontem em Curitiba para participar do Encontro Regional de Concessionários, que reuniu representantes do Paraná e Santa Catarina.
No Paraná, que ocupa o quinto lugar em vendas no País, de acordo com o vice-presidente da Fenabrave, Gláucio José Geara, a expectativa é que as vendas aumentem 7% este ano, um pouco acima da média nacional.
No mercado geral de veículos, que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos redoviários, foram vendidas 2,545 milhões de unidades no ano passado. Enquanto a venda de automóveis e comerciais leves, caminhões e motocicletas puxaram os resultados para cima, a venda de máquinas agrícolas teve queda de 8,5%, o que significa que o setor vendeu cerca de 3 mil máquinas a menos.
A queda nas vendas é consequência não apenas da má situação financeira dos agricultores, mas também, segundo o diretor-geral Regional da Fenabrave, do alto preço dos tratores. De acordo com ele, nos últimos dois anos o preço dos tratores aumentou 70%, bem acima dos veículos leves, que tiveram reajuste de 16% no ano passado.
Para Pires, um dos problemas do setor é o baixo investimento das indústrias automobilísticas. ''É ínfimo no Brasil o número de lançamentos de novos modelos. Isso é um sintoma de que elas não estão investindo'', afirma. Por outro lado, Geara ressaltou a preocupação das indústrias em buscar novidades na tecnologia. Como exemplo, citou os motores flexíveis, também chamados de bicombustíveis (podem ser abastecidos com álcool ou gasolina) ou tricombustíveis (com opção para gás, no caso de táxis).
Com a extensão dessa tecnologia também para os veículos 1.0, segundo Geara, já há fila de espera desses modelos nas concessionárias. ''A fila não é grande, em 15 dias podemos atender a demanda'', disse. Para ele, como não há diferença de preços, a tendência é que o mercado dos motores flexíveis continue em alta.


