Revendas se mobilizam contra aumentos
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
As revendas de carros estão se mobilizando contra os reajustas nos preços previstos pelas montadoras para a linha 98. Na segunda-feira, por exemplo, representantes das concessionários Volkswagen vão se reunir com o fabricante para negociar a redução do porcentual de aumento a ser repassado. O presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores Volkswagen (Assobrav), Paulo Simões, passou a manhã de ontem em contato com fábrica tentando convencer os técnicos da impossibilidade de o mercado absorver o reajuste de 3,5%, inicialmente programado.
Segundo Simões, a pressão da rede já fez com que a Volks postergasse, pelo menos temporariamente, a idéia de aumentar os preços em 3,5%. Esta é a segunda vez que a Assobrav interfere para reduzir reajustes. À época do lançamento do Gol popular no atual desenho de carroceria, o fabricante acabou reduzindo o reajuste à metade do que havia programado em razão da pressão dos revendedores.
Para Simões, o maior problema da rede é que a Volkswagen acena com o maior índice de aumento. As demais montadoras devem reajustar os preços da linha 98 entre 1,5% e 2,5%. Um acréscimo de 3,5% é muita coisa, destaca. Segundo ele, se aplicar um reajuste desses, a marca corre o risco de perder a liderança para a Fiat.
Os concessionários garantem que com, o atual nível de estoques da linha 97 o setor não tem condições de absorver nenhum aumento. Mas, na negociação com a fábrica é possível que eles concordem com um limite de 2%. A Volkswagen tem que entender que nós não somos vendedores de carros; somos revendedores, justifica Simões.
Fiat Os concessionários Fiat também vão se reunir com representantes da montadora na próxima semana para discutir o reajuste de preços, programado com a chegada da linha 98. A Associação Brasileira dos Distribuidores Fiat (Abracaf) vai aproveitar um workshop com a área comercial da fábrica, de terça a sábado próximos, para contestar o aumento de preços.
Os revendedores já receberam a linha 98 do modelo Mille, que teve o preço elevado em 3%. Segundo o presidente da Abracaf, Humberto Pereira Carneiro, os revendedores não têm como repassar reajustes nos demais modelos porque o ritmo de produção está muito superior ao de vendas. As montadoras estão preocupadas exclusivamente em obter pontos na participação de mercado e, por isso, vendem no atacado sem se preocupar com o varejo, protesta Carneiro.


