Agência Folha
De São Paulo
O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Hugo Maia de Arruda Pereira, disse ontem que a entidade vai entrar com uma representação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ainda neste ano, para questionar uma série de ações das montadoras de veículos, que estariam deixando as concessionárias em dificuldades.
A oficialização do processo, segundo ele, depende de estudos que estão sendo feitos por consultorias especializadas para dimensionar as perdas verificadas pelas revendedoras de veículos nos últimos anos.
A Fenabrave reclama de perda de rentabilidade, que seria decorrente do engessamento imposto pelos fabricantes aos revendedores. Os estudos, que devem ser concluídos em 60 dias, já teriam apontado rentabilidade negativa de 2% sobre o patrimônio no ano passado. A previsão para este ano é que a perda atinja 10%.
As concessionárias, segundo Pereira, estão insatisfeitas com a forma como as montadoras estabelecem a margem de lucro, a remuneração da mão-de-obra da garantia, a política de preços e o sistema de distribuição. A margem de lucro, de acordo com ele, que chegou a ser de 18% (bruta) no final da década de 80, hoje está em torno de 3%. O ideal seria 11%.
Os revendedores querem também estabelecer um sistema de vendas diretas para evitar os mecanismos de financiamento de capital de giro para estoques, cujos juros são altos.
Outra reivindicação é o aumento da cota de peças de reposição direto dos fabricantes. Hoje o limite é de 10%. A diferença de preços chegaria a 50%, segundo o presidente da entidade. ‘‘Tudo isso é um conjunto de coisas que tiram nossa capacidade de rentabilidade para sobreviver’’.
As imposições das montadoras, segundo Pereira, já teriam sido responsáveis pelo fechamento de pelo menos 500 concessionárias associadas (10% do total), nos últimos anos.
Pereira reclama também dos preços de venda final, que, segundo ele, são muito próximos dos pagos pelas concessionárias e muito acima da capacidade do consumidor. A sobrevalorização chegaria a 28%. ‘‘São fora da realidade. Os preços estão muito acima do que as pessoas podem pagar’’. Para Pereira, um popular, que com as novas tabelas custa em torno de R$ 15 mil, deveria estar saindo a R$ 9.000. ‘‘O consumidor prefere comprar um usado, que sai por esse preço’’, disse.

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