Revendas do PR deixam de vender 35% mais em março
As concessionárias de veículos paranaenses podem ter perdido cerca de 35% de vendas no mês passado em virtude da decisão do governo estadual de não reduzir a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), como fizeram os Estados de São Paulo e Santa Catarina. Em março as vendas cresceram 40% em relação ao mês anterior, comercialização considerada boa pelos empresários paranaenses, porém bem abaixo dos Estados vizinhos que tiveram a alíquota reduzida, onde as vendas cresceram em média 75%. As informações foram repassadas ontem pelo Sindicato dos Revendedores de Veículos do Norte do Paraná (Sincovave).
Se houvesse a redução chegaríamos perto de 7 mil carros, o que significaria mais impostos, circulação da economia e empregos assegurados, afirmou o presidente do Sincovave, Rodolfo Montosa. Os dados da entidade mostram que os concessionários paranaenses venderam 5.550 veículos em março, contra 3.961 em fevereiro.
Em Santa Catarina foram comercializados 3.621 carros, contra 2.079 no mês anterior. Em São Paulo, onde também ocorreu redução do imposto, foram 33.389 veículos em março contra 18.781 em fevereiro - um aumento de 78%. Esta diferença na alíquota deixou de estimular o consumidor e certamente o Paraná perdeu, afirma Montosa. Para o empresário, em abril a tendência é de que as vendas permaneçam no mesmo patamar.
Ele lembrou que os Estados de Pernambuco, Espírito Santo e Mato Grosso abaixaram neste início de mês o ICMS. A medida, segundo ele, tem o objetivo de estimular a comercialização de veículos e, em sua opinião, o governo do Paraná também deveria analisar a possibilidade de reduzir o imposto. Concessionários que ficam a 100 quilômetros de nós trabalham com melhores condições; é uma política que facilita a importação de veículos, afirmou.
Ainda de acordo com o presidente do Sincovave, os concessionários vivem um momento bastante difícil já que termina neste mês o acordo emergencial do setor automobilístico. No próximo dia 27 a representação paranaense da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) se reúne em Londrina para debater a possibilidade de prorrogação do acordo emergencial.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse ontem, através de sua assessoria, que o aumento de 40% nas vendas de automóveis no Paraná mostra que estava errado o raciocínio segundo o qual o movimento no comércio de veículos no Estado cairia, em função das alíquotas menores em São Paulo e Santa Catarina.
Na próxima reunião do Confaz, que acontece nesta sexta-feira, em Fortaleza (CE), vamos manter a posição em defesa da redução da alíquota interna do ICMS na venda de veículos de 12% para 9%, desde que acompanhada de uma queda proporcional da alíquota interestadual. Com alíquotas iguais, o Paraná não perderá arrecadação, afirmou Gionédis.
De acordo com o secretário, para compensar a queda na arrecadação - R$ 10 milhões em dois meses - que seria provocada pela redução da alíquota interna do ICMS de 12% para 9%, as vendas de veículos no Paraná teriam que crescer quatro vezes, ou 300%.Arquivo FolhaDemanda potencialMontosa, presidente do Sincovave: Podíamos ter vendido 7 mil carrosPedro Livoratti





