Revendas devem absorver reajuste do gás de cozinha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de fevereiro de 2019
Aline Machado Parodi Reportagem Local 

As revendas de gás de Londrina devem absorver o reajuste do valor do botijão de 13 kg anunciado pela Petrobras. O preço nas refinarias subiu nesta terça-feira (5), em sua quarta alta consecutiva. A previsão é que o custo para as distribuidoras aumente entre 0,5% a 1,4%, dependendo do local.
Algumas revendas já receberam o produto com alta, mas estão preferindo segurar o preço. "O reajuste foi pequeno, não tem como repassar, você não vai subir R$ 0,50. Vamos ter que absorver", disse Marcelo Costa, proprietário da Ideal Gás. Segundo ele, os reajustes anteriores foram mais fortes. "Os últimos foram de R$ 3 a R$ 4, dai não teve como segurar", comentou.
A proprietária da Gás Mil, Izabel Cristina Pereira, também não pretende reajustar o botijão. Ela ainda não recebeu remessa com novo preço. "Esse tipo de aumento (menos de 1%) a distribuidora nem tenta passar. Eles vão juntando e repassam tudo de uma vez", afirmou. Ela reclama que está difícil manter as margens de lucro. "Aumentar R$ 2 ou R$ 3 já é complicado. A gente trabalha legal, mas tem os irregulares que entregam pelo preço de portaria ou até por menos", desabafa.
Em Londrina, o botijão de 13 kg está variando entre R$ 60 e R$ 80, mas os revendedores afirmam que os valores muito baixos são praticados por locais clandestinos e irregulares.
Segundo a Petrobras, o preço do botijão na refinaria corresponde a 37% do custo para o consumidor final. A composição de preços ainda tem ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS/Pasep e Cofins. A participação da distribuição e da revenda corresponde a 44% do cobrado.
VENDAS
Nos meses de janeiro e fevereiro as vendas costuma-se ter uma redução de 15% natural da sazonalidade, mas os comerciantes dizem que as vendas vêm caindo. O ano passado, o Estado registrou queda de 2,4% nas vendas e aumento significativo do número de revendedores, segundo o Sinegás (Sindicato das empresas de Atacado e Varejo de Gás Liquefeito de petróleo), em sua maioria irregulares.
"Um dos fatores da queda nas vendas foi que tivemos inverno. Outro é o comportamento da dona de casa que não cozinha mais. Ela compra tudo pronto ou utiliza panela e forno elétricos. O consumidor mudou a forma consumo. E a nossa perspectiva é que em 2019 haverá ainda mais redução", afirmou Sandra Ruiz, presidente do Sinegás.
O aumento do número de revendas, na avaliação de Ruiz, está ligado primeiro a um desconhecimento de mercado e segundo pela crise econômica. "É barato abrir uma revenda de gás pequeno e até o fim do ano passado havia a possibilidade abrir como MEI (Microempreendedor Individual)", avaliou a presidente. A partir deste ano, as revendas se enquadram no sistema de microempresa. "Isso deve dar uma equilibrada", acredita Ruiz.
Segundo ela, os dados históricos apontam redução no número de revendas. Recentemente foram revogadas 600 empresas. "Mas há muito clandestino no setor, que acaba sendo concorrente do regularizado", afirmou. O sindicato vem trabalhando em conjunto com o Ministério Público, ANP (Agência Nacional do Petróleo) e prefeituras para tentar coibir a prática. (Com FolhaPress)


