Revendas de carros vão ao Cade contra as montadoras
Agência Estado
De São Paulo
Os concessionários de veículos reclamam de ter somado nos últimos cinco anos um prejuízo de US$ 6 bilhões com o custo do estoque de carros excedente e mais as perdas provocadas pela baixa remuneração da mão-de-obra, pelas montadoras, nos consertos de veículos em garantia. Este é o primeiro resultado da auditoria que prepara uma representação a ser levada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o próximo dia 15 pelos representantes das revendas.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) vai entrar com a representação no Cade contra o abuso de poder econômico dos fabricantes de veículos. O valor do prejuízo em 5 anos, anunciado ontem pelo presidente da Fenabrave, Hugo Maia, refere-se a uma quantidade de veículos distribuídos superior ao que o mercado poderia suportar.
O valor da mão-de-obra do qual queixam-se os concessionários diz respeito à remuneração das montadoras. Segundo Maia, enquanto as tabelas dos concessionários giram em torno de R$ 50,00 a R$ 70,00 por hora de trabalho, as montadoras chegam a pagar a eles, nos consertos de veículos em garantia, em torno de R$ 9,00 e R$ 10,00.
A auditoria contratada pela Fenabrave para diagnosticar os problemas do setor ainda não foi concluída. Mas a entidade pretende buscar uma forma de fazer as montadoras dividirem com eles o ônus dos estoques. Eles também reclamam dos aumentos de preços que, argumentam, superaram o poder decompra. Maia explicou ontem que os concessionários defendem meios de tornar a rede mais enxuta, com o agrupamento de revendas em centros únicos de serviços, como oficina.
Mas o empresário condena os chamados megadealers, que representam os grupos com os diversos pontos de venda. Estes grupos invadem o mercado dos outros e baixam o preço, disse. Por isso estamos indo ao Cade: para encontrar o direito de proteção, completou.
Maia diz ter o apoio de 2.200 do total de mais de 4 mil concessionários para a representação contra as indústrias automobilísticas. Segundo ele, esta é a quantidade de participantes que reclamou uma posição da entidade em relação ao assunto durante o último congresso da categoria. Temos o ponto, mas não temos nenhuma ingerência no produto e nem no preço, disse. Não queremos que a montadora nos garanta lucro, porque isso depende da administração de cada concessionário, destacou. Mas queremos margem, completou.
Maia discorda que a Internet ajudará a reduzir o número de concessionários. Segundo ele, a venda pela rede mundial agiliza de fato a comunicação, mas a entrega do veículo ainda depende do concessionário. O presidente da Fenabrave também questiona o prejuízo que as montadoras argumentam ter. Segundo ele, estas perdas podem até aparecer nos balanços das companhias. Mas o prejuízo de uma multinacional é transitório, enquanto que o mesmo não acontece para um comerciante nacional, disse. Eu não detesto as montadoras, só que elas foram cuidar da sua dor de barriga e nos deixaram órfãos, completou.





