Revendas apelam para redução do ICMS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de março de 1999
Marco Antonio Assef Especial para a Folha 
Dirigentes de concessionárias de veículos do Paraná não ficaram nada satisfeitos com o anúncio do secretário estadual da Fazenda, Giovani Gionédis, de que não pretende reduzir as alíquotas do ICMS sobre a venda de veículos, como já fizeram os Estados de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Para discutir o assunto, foi agendada uma reunião entre Gionédis e os representantes das concessionárias, às 16 horas de hoje, na Secretaria da Fazenda.
Os representantes esperam que o secretário reveja o seu ponto de vista e autorize a redução do ICMS de 12% para 9%, dando um novo impulso na venda de veículos novos. O mercado ficou paralisado nos últimos dias, ante à perspectiva de que o ICMS fosse reduzido.
A Folha conversou com diretores de concessionárias de veículos de Curitiba e todos foram unânimes ao afirmar que o consumidor paranaense será a grande vítima da intransigência do governo estadual. O consumidor paranaense vai pagar mais caro pelos seus veículos e sem motivo para isso. Bastava um pouco mais de boa vontade do Governo do Estado, destacou o gerente comercial da Autovesa, revenda Renault, Adeodato Volpi Júnior. Ele diz que ficou estranha a posição do governo, pois o Paraná foi o primeiro a anunciar que queria a redução do ICMS, mas depois mudou de idéia. Volpi detectou uma retração nas vendas na semana passada por causa da possibilidade da redução do imposto e nos últimos dias orientou seus vendedores que aguardassem a definição das normas antes de fecharem as vendas já iniciadas.
O diretor financeiro da Metropolitana, revenda Ford, Sérgio Zardo, espera que o secretário da Fazenda mude de opinião na reunião de hoje. Ele entende que a redução do ICMS em todos os Estados que fazem divisa com o Paraná fará com que o consumidor compre nesses locais, independente da proposta do governo estadual de cobrar a diferença da alíquota na hora do emplacamento. Zardo acredita que as autoridades fiscais paranaenses fazem declarações sem ter conhecimento do mercado. Como é que o secretário pede para que as concessionárias reduzam ainda mais a sua margem de lucro, se já estamos trabalhando praticamente com zero por cento de rentabiliade?, questiona ele. O diretor da Metropolitana diz que a informação divulgada por Gionédis de que o Paraná teria prejuízos de R$ 48 milhões por ano com a redução do ICMS é ridícula, pois os preços mais baixos seriam mantidos por apenas 60 dias e não por um ano.
O gerente comercial da Servopa, revenda Volkswagen, Marco Rossi, informa que sua concessionária já reduziu o preço dos veículos para se equiparar com o mercado paulista e ficou inteiramente sem lucro nas vendas de veículos. O secretário precisa rever os seus cálculos e conceder esse benefício ao consumidor paranaense, disse Rossi. O diretor de vendas da CCV, revenda Chevrolet, Ricardo Voigt considerou a decisão da Secretaria da Fazenda precipitada. Para ele, reduzir o ICMS não significa diminuir arrecadação. A alíquota seria reduzida, mas o aumento de vendas faria com que o Estado arrecadasse mais impostos, pois se a situação for mantida como está, fatalmente o volume de vendas vai cair e a arrecadação do imposto será menor, analisa ele.


