Era para ser um dia ''histórico'' como esperava a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Mas a reunião para apresentar o projeto Arco Norte ao governador Beto Richa, ontem, na sede da entidade terminou em frustração. Primeiro, pela falta do próprio e, depois, pelos discursos dos secretários que o representaram: Luiz Carlos Hauly (Fazenda), José Richa Filho (Infraestrutura) e Ricardo Barros (Indústria e Comércio).
Eles disseram que o governo apoia o projeto, mas não vai ajudar financeiramente na contratação do seu estudo de viabilidade técnica, já que tem outras prioridades. Durante a reunião, também ficou visível que os representantes da iniciativa privada que apostam suas fichas no Arco Norte e o Poder Público não estão se entendendo. Para completar o quadro, moradores e produtores rurais que podem ser afetados pelo projeto protestaram em frente ao prédio da Acil.
O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento regional que tem como âncora um aeroporto internacional de cargas previsto para ser construído na Zona Sul de Londrina, próximo à Mata dos Godoy. Ele envolve os municípios de Londrina, Assaí, Jataizinho, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana. Para implementá-lo foram criados duas entidades: por parte da iniciativa privada, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), e do lado do Poder Público, o Consórcio Arco Norte.
José Richa Filho, que é irmão do governador, disse que Beto não foi à Acil porque tinha outros compromissos. Ele estava na cidade desde a quinta-feira à noite para a posse do novo presidente da entidade, Flávio Balan.
O secretário afirmou que, ''neste momento'', é difícil para o Estado aportar recursos no projeto. ''Temos outras prioridades como o aeroporto já existente (que leva o nome de seu pai, José Richa Filho). Já liberamos R$ 9 milhões (para a reforma) e vamos liberar outros R$ 6 milhões. Tem também a duplicação da PR-445'', informou.
Richa Filho disse que o Arco Norte é importante, ''mas ainda está no início''. ''É preciso contratar o estudo. De repente, estamos gastando aqui uma energia e o estudo aponta que não é viável. E que não adiantou toda essa discussão'', avaliou.
Luiz Carlos Hauly também citou as outras prioridades do governo e enumerou as análises que precisam ser feitas. ''Todo projeto passa primeiro pela questão da sustentabilidade ambiental, depois pela responsabilidade social e depois pela viabilidade financeira'', disse.
''Um passo''
Embora o clima de frustração fosse nítido, prefeitos e lideranças evitaram criticar o governo. O presidente da Acil, Flávio Balan, negou que tenha se sentido frustrado. ''Foi um passo a mais, o governo se comprometeu a colocar o Arco Norte no Plano Aeroviário'', disse.
Ele contou que nos próximos dias a iniciativa privada e o Poder Público vão discutir como financiar o estudo de viabilidade do projeto, orçado em R$ 900 mil. ''Vamos ver como será possível fazer, os empresários colocam uma parte, os municípios também'', disse. A intenção, de acordo com Balan, é começar o estudo ainda neste ano.
Luiz Figueria de Mello, ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e idealizador do Arco Norte, avaliou da seguinte forma a ausência do governador: ''Acho que ele preferiu mandar os secretários para conhecer a proposta e analisar depois. Acreditamos que ele não perderá a oportunidade de realizar este projeto tão importante para a região'', declarou.
Presidente do Consórcio de Municípios, o prefeito de Assaí, Michel Antonio Bomtempo, disse que a ausência do governador ''foi muito ruim'', mas que ele estava bem representado pelos secretários. Os prefeitos ficaram irritados por não terem sido chamados para falar na reunião.

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