Uma reunião na próxima segunda-feira, no Ministério do Trabalho, em Brasília, pode reverter a demissão anunciada dos cerca de 11 mil empregados dos quais, 2,3 mil só no Paraná do grupo Frigorífico Margen Ltda. A reunião foi marcada ontem, pelo Ministério, depois que os sócios da empresa foram liberados pela Justiça, na tarde de anteontem, como a Folha havia antecipado. Com isso, a empresa decidiu suspender temporariamente as demissões em duas unidades paranaenses, em Paranavaí e Maringá. Nas outras duas, em Lupionópolis e outra em Maringá, os empregados continuam sob aviso prévio.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Maringá, Rivail Assunção da Silveira, a assembléia que estava programada para ontem, para discutir a proposta do grupo de parcelar em cinco vezes os direitos trabalhistas, foi adiada para o dia 5, após a reunião. ''Vamos esperar para ver o que vai acontecer''. De acordo com ele, ontem a empresa havia passado uma nova posição ao sindicato, afirmando que não haveria novas demissões em Paranavaí. ''Parece que o ministério está pressionando'', disse. Silveira disse que pretende participar da reunião em Brasília para acompanhar de perto os desdobramentos do caso. ''Afinal, são milhares de trabalhadores que podem ficar desempregados de uma hora para outra''.
O advogado do Margen, Aibes Alberto da Silva, disse que a diretoria do grupo ainda está avaliando os prejuízos causados pela paralisação das 21 unidades durante quase um mês e que a empresa precisará passar por uma reestruturação. ''É um grande prejuízo porque tínhamos despesas com pessoal na ordem de R$ 400 mil ao dia, que foram rigorosamente cumpridos. Mas o pior foi o prejuízo moral que a empresa sofreu perante os pecuaristas. São 18 anos de trabalho sério, de fidelidade com a classe produtora. E esse prejuízo é incalculável e impagável'', afirmou.
Segundo o advogado, os oito diretores que estavam detidos em São Paulo e Goiânia desde o dia 1º foram liberados porque o Ministério Público Federal não apresentou denúncia. ''O MPF não teve elementos para acusá-los de qualquer crime e solicitou mais investigações'', explicou. A diretoria e três sócios proprietários do grupo foram presos pela Polícia Federal na chamada Operação Perseu, suspeitos de sonegação fiscal, evasão de divisas, formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
Aibes Silva disse não há nenhuma ligação entre a liberação dos diretores e a possível suspensão das demissões. ''É absurdo essa ligação que estão fazendo principalmente porque a empresa viveu uma situação anormal, com o abate totalmente paralisado. Só eles (os diretores) eram quem tinham condições de negociar alternativas'', afirmou.
De acordo com o advogado, a empresa vai fazer todo o possível para manter os empregos. ''Afinal, 10 mil empregos diretos e 100 mil indiretos não é qualquer empresa que mantêm. E é nosso interesse mantês-los'', garantiu.

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