Puerto Iguazú, Argentina - Após mais de três horas de reunião a portas fechadas, sem testemunhas, os presidentes do Brasil, da Bolívia, da Argentina e da Venezuela não anunciaram nem deram pistas do que mais se esperava no País desse encontro: o novo preço do gás boliviano depois da nacionalização do setor decretada pelo presidente Evo Morales.
  As negociações para definir os novos preços do produto, segundo informou o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, começam na próxima semana, quando uma missão do governo brasileiro, formada por representantes da Petrobras e do Itamaraty, irá a La Paz.
  Ao final da reunião, realizada em Puerto Iguazú (Argentina), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que um cronograma de novas reuniões - com início previsto para a semana que vem - foi marcado, e, ao contrário do que a Petrobrás anunciou anteriormente, os investimentos naquele País vizinho não serão suspensos, mas serão definidos de acordo com o entendimento da empresa.
  Uma nota divulgada pelos quatro presidentes ao final do encontro assegura que o abastecimento de gás ‘‘está garantido’’ e anuncia que ‘‘a discussão sobre o preço do gás deve dar-se num marco racional e eqüitativo que viabilize os empreendimentos’’.
  Na nota, os presidentes ressaltam que ‘‘a integração energética é um elemento essencial da integração regional em benefício dos seus povos’’ e defendem a necessidade de ‘‘aprofundamento dos diálogos bilaterais para resolver questões pendentes’’, além de anunciar que continuarão a ‘‘trabalhar pelo Mercosul e para a consolidação da integração sul-americana’’.
  O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, não participou da reunião dos presidentes e evitou dar qualquer declaração sobre o tema. Coube ao presidente Lula, na conferência de imprensa, dar o tom das negociações e amenizar a ameaça feita pela Petrobras de suspender novos investimentos da Bolívia. ‘‘Os investimentos ou não da Petrobras é (sic) uma decisão de uma empresa que tem autonomia para investir e que vai continuar investindo no estrangeiro, inclusive na Bolívia, de acordo com acordos que possam ter entre a YPFB , o governo da Bolívia e o governo brasileiro’’, disse.
  Lula, no, entanto, aproveitou para avisar a Morales que espera o cumprimento dos contratos para continuar investindo no País. ‘‘Como empresa, a Petrobras irá investir onde houver possibilidade de investir e onde ela puder ter retorno’’, advertiu.

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