O Banco Central adiou para a próxima quinta-feira a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que estava prevista para amanhã. O objetivo é permitir que a nova diretoria da instituição defina a trajetória da taxa de juros. As indicações de Armínio Fraga para a presidência do BC e dos novos diretores deverão ser votadas amanhã pelo plenário do Senado, e a expectativa do governo é que eles tomem posse na quinta-feira, a tempo de participar da reunião do Copom.
Analistas do mercado prevêem que o governo elevará o teto dos juros básicos da economia, a Tban (Taxa de Assistência do BC), hoje em 41% anuais. Essa alta seria preventiva, apenas abriria espaço para, se preciso, elevar os juros que realmente valem nos negócios entre os bancos: a taxa Selic (fixada em empréstimos de um dia garantidos por títulos públicos), hoje em 39% anuais.
A principal função da política de juros é reduzir a inflação a um dígito no final do ano. Com uma Tban mais alta, o BC teria margem para subir a taxa Selic, caso a inflação saia de controle.
Para Carlos Guzzo, do ABN-Amro, a alta da inflação em fevereiro não justificaria uma postura mais agressiva do BC. ‘‘O que o governo vai fazer é olhar a inflação lá na frente, no fechamento do ano, e não ficar tentando cobrir a inflação de cada mês’’. Para Guzzo, se o governo tivesse o objetivo de manter juros reais de 6% anuais em março, deveria elevar a Selic a 53,7% anuais, considerando uma inflação de 3,5% em março, na média dos principais índices. Já em julho, para manter os juros nos mesmos 6% anuais, o governo poderia manter a taxa entre 15% e 18%, considerando inflação média entre 0,5% e 0,6%.

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