Reunião do BID começa com pancadaria
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de março de 2002
Agência Estado 
Fortaleza Terminou em pancadaria entre policiais e manifestantes a passeata promovida em Fortaleza, no início da tarde de ontem, durante a abertura oficial da 43ª Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Diversas pessoas ficaram com ferimentos leves. Um fotógrafo e uma estudante ficaram feridos sem gravidade, o primeiro nas pernas e a segunda na mão. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Ceará, Roque Melo, também saiu ferido.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de três mil manifestantes participaram da marcha pelas ruas do centro comercial de Fortaleza. Quando chegaram nas proximidades do Sebrae, onde o presidente Fernando Henrique Cardoso participava da cerimônia de abertura do evento, os manifestantes foram barrados pelos policiais do Batalhão de Choque da PM e pela polícia montada.
Pedras foram jogadas nos policiais que reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. O protesto foi articulado por diversas organizações sociais, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação de Bairros e Favelas de Fortaleza (FBFF) e União Nacional dos Estudantes (UNE). Algumas dessas entidades estão envolvidas em uma programação paralela à reunião do BID.
Em um desses seminários, a ong Rede Brasil e a Internacional dos Serviços Públicos defenderam a mudança da estratégia de atuação de instituições financeiras como o BID, com maior participação dos parlamentos nacionais e das entidades representativas da sociedade civil nas decisões de projetos.
Para o coordenador da Rede Brasil, historiador Guilherme Carvalho, as políticas desenvolvidas pelo BID e pelo Banco Mundial (Bird) são excludentes e não resolvem o problema estrutural da pobreza.
Para evitar quebradeiras e saques no comércio local, ontem foi decretado feriado em Fortaleza. As lojas do centro da cidade não funcionaram. Nem mesmo os ambulantes foram trabalhar. Não houve aula na maioria das escolas e nem expediente bancário.
No último dia do evento, amanhã, os movimentos sociais pretendem realizar um vassouraço pelas ruas de Fortaleza para simbolizar, segundo os coordenadores, o desejo de varrer o BID da América Latina, tirando toda a sujeira da miséria, fome e prostituição infantil que os projetos do BID deixam.
No mesmo dia, também está previsto o tribunal popular do BID, quando na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), os estudantes farão o julgamento do banco.


