A implantação de um programa de erradicação da brucelose e da tuberculose no rebanho do Paraná, o controle da febre aftosa, a prevenção da morte súbita em citros e a busca de qualidade para o leite são alguns dos desafios enfrentados pelas entidades que lidam com sanidade agropecuária no Paraná. Esses temas foram discutidos, ontem, em reunião realizada pelo Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) em Londrina. O evento foi organizado pelo núcleo regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Formado por 33 entidades, o conselho existe há seis anos e tem o objetivo de propor ações que garantam maior qualidade, produtividade, rentabilidade e competitividade ao agronegócio paranaense.
Silmar Pires Burer, secretário executivo do Conesa, explicou que o trabalho do órgão é baseado no suporte dos Conselhos Intermunicipais/Municipais de Sanidade Agropecuária (CSAs), que agem localmente na conscientização dos produtores.
A primeira conquista do conselho foi a transformação do Paraná em área livre da febre aftosa. ''Estamos há 100 meses sem ocorrências'', comemorou. O próximo desafio é implantar um programa de erradicação da brucelose e da tuberculose. Apesar dessas doenças não trazerem impactos comerciais, oferecem riscos à população por serem transmissíveis a seres humanos. ''Pode representar um problema de saúde pública'', disse.
Com relação à sanidade vegetal, a prioridade do Conesa é prevenir a incidência da morte súbita nos pomares de citros do Estado. Carlos Alberto Salvador, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV) da Seab, explicou que a morte súbita é uma anomalia de causa desconhecida que já dizimou pomares em São Paulo e Minas Gerais. ''Para evitar que o problema chegue ao Paraná, é preciso combater o comércio de mudas clandestinas.''
Com relação à soja transgênica, cuja proibição de plantio é fiscalizada pela DDSV, ele afirmou que o governo do Estado assumiu uma postura de ''cautela'' sobre o assunto. ''Ainda não há estudos conclusivos sobre as consequências do produto para a saúde humana'', explicou, reforçando que o cultivo é proibido no País.
Em 2002, o órgão fiscalizou 7,5 mil amostras de sementes de soja. ''Nenhum teste deu positivo'', revelou. Neste ano, a divisão recebeu várias denúncias sobre lavouras transgênicas no Estado. Na fiscalização, constatou que quatro delas usavam material geneticamente modificado. ''As áreas foram interditadas e os proprietários foram autuados''.
Para Salvador, a liberação dos transgênicos não é interessante para o agronegócio paranaense. Segundo o técnico, mercados importantes como a Europa e a China fazem restrições aos organismos geneticamente modificados. ''A garantia de que nossa soja é convencional é também uma vantagem comercial'', opinou.

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