Combater as pragas que atacam lavouras de frutas e verduras é uma tarefa complicada para os produtores brasileiros. Como o retorno financeiro da comercialização de defensivos agrícolas para esses alimentos é pequeno, as indústrias que atuam no País não investem na obtenção do registro que autoriza a utilização dos produtos. O assunto foi discutido, ontem, em uma reunião técnica promovida pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina.
Júlio Sérgio de Britto, coordenador da fiscalização de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), informou que 90% dos agrotóxicos comercializados no Brasil atendem apenas a 10 grandes culturas. Isso porque a obtenção de um novo registro tem custo alto e demanda tempo.
O processo envolve a avaliação do desempenho do defensivo em condições brasileiras e a investigação da dosagem mais adequada, entre outras exigências. Depois de definida a dose correta, é necessário fazer ensaios para estabelecer a quantidade máxima de resíduos aceitáveis nos alimentos que serão consumidos pela população.
''Não há dados estatísticos que permitam identificar o potencial de mercado desse segmento. Como todo o processo custa muito caro, as indústrias não investem'', justificou Luiz Carlos Ferreira Lima, diretor técnico da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que representa as indústrias de defensivos.
A solução para o problema, segundo ele, está na parceria com o poder público. A entidade propõe dividir a tarefa com as instituições de pesquisa estaduais e federais, que ficariam responsáveis pelos ensaios de campo. ''As empresas arcariam com os ensaios de resíduos'', comentou. Como a obtenção do registro demanda tempo, o setor sugere que, até a finalização do processo, sejam usados os limites de resíduos aplicados no exterior. Para Britto, do Mapa, a responsabilidade deveria ser apenas das empresas, já que serão elas as grandes beneficiadas pelo retorno financeiro.
No meio de toda a polêmica, pequenos produtores rurais arcam com os prejuízos da falta de registro. O engenheiro agrônomo Anderson Tokushima, coordenador da área de hortifruti da cooperativa Integrada, comentou que, por falta de opção e informação, muitos produtores usam produtos proibidos para a cultura em questão. Os agrônomos, por sua vez, não podem recomendar soluções para as pragas porque não há autorização de uso dos agrotóxicos.
Segundo o técnico, os únicos hortifruti que possuem várias opções de defensivos são o tomate, a batata, os citros e a uva. ''São culturas de grandes áreas que dão retorno financeiro às indústrias'', disse. Abacate, caqui e chuchu são alguns exemplos de culturas suscetíveis a pragas e que demanda por agrotóxicos registrados no Mapa.

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