Diretores da Avipar reunidos ontem em Curitiba, com setor exportador: estratégia para comprar milho argentino
Os avicultores do Paraná estão dispostos a comprar milho transgênico, se for preciso recorrer a importações para evitar a disparada no preço do grão no mercado. Paulo Muniz, presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), confirmou esta possibilidade, caso a importação seja liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão deverá se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias.
A decisão foi formalizada numa reunião realizada ontem em Curitiba entre a diretoria da Avipar e duas tradings, que estão dispostas a trazer o milho da Argentina ou dos Estados Unidos, onde há plantio de transgênicos. Segundo Muniz, as tradings garantiram que podem colocar o milho no Porto de Paranaguá em 15 dias, apesar das possíveis manifestações contrárias das Organizações Não Governamentais (Ongs).
Antes de definir as importações, a Avipar vai esperar o levantamento sobre a quebra na safrinha de milho pelas geadas, que está sendo feito pela Secretaria da Agricultura. Para Muniz, se a Justiça liberar a importação de milho transgênico, as indústrias estarão tranquilas para essa operação, já que terão o respaldo do Ministério da Agricultura e da comunidade científica, favoráveis à importação dos transgênicos.
Segundo Muniz, a reunião de ontem tranquilizou as indústrias de abate de frangos, pois a oferta mundial de milho é abundante. Só a Argentina tem 10 milhões de toneladas para serem exportadas. Já a agência Safras e Mercados afirma que o País tem três milhões de toneladas disponíveis para o Brasil.
As tradings que participaram da reunião de ontem garantiram ainda que entregam o milho no Porto de Paranaguá por US$ 98 a tonelada, o que corresponde à entrega do grão a R$ 12,00 a saca no Norte do Paraná, ‘‘mais barato que o milho nacional’’. ‘‘Esse é o nosso limite’’, disse Muniz. Acima desse valor, ele acha que uma disparada no preço do milho pode desestruturar o setor.
Outra opção discutida durante a reunião seria a importação do sorgo, que poderá chegar ao Paraná por R$ 9,00 a saca. A Argentina tem cerca de dois milhões de toneladas do grão disponíveis para compra. ‘‘A vantagem é que o sorgo não é transgênico’’, disse Muniz.

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