Reunião com ministros frustra ruralistas
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Fabíola Salvador e<br>Sheila DAmorim<br>Agência Estado 
Brasília - Os ruralistas saíram frustrados, ontem, de uma reunião com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, na qual esperavam obter liberação de verbas para o setor para dar apoio à comercialização da safra e também para refinanciar dívidas contraídas com os fornecedores de insumos. Eles confirmaram que, na próxima semana, haverá um ''tratoraço'' em Brasília. ''O encontro provocou insatisfação generalizada devido à posição dura e intransigente do ministro (Palocci) em não entender a gravidade pela qual passa a agropecuária brasileira nesse momento'', afirmou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO).
O deputado Francisco Turra (PP-RS) disse que, durante a reunião, Palocci foi alertado para a gravidade dos problemas no setor agrícola. Ele acrescentou que o clima entre os parlamentares era de ''perturbação, angústia, desilusão e desânimo''. Os dois parlamentares afirmaram que o encontro contrariou as expectativas do ministro Roberto Rodrigues.
''Como é um ministro muito dinâmico, Rodrigues esperava que hoje (ontem) fosse um dia de liberação de recursos'', disse Turra. ''O ministro Rodrigues tem agido, mas não tem conseguido resultado algum'', comentou Caiado.
De acordo com relato do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), Palocci afirmou que, antes de liberar mais dinheiro para o setor agrícola, o governo precisa resolver o déficit da Previdência Social. ''Ele (Palocci) disse que primeiro é preciso acabar com o rombo da Previdência'', disse.
Caiado afirmou que os agricultores não aceitarão esse condicionamento. ''A função do Estado é cortar os excessos que têm com cargos comissionados, com o tamanho da máquina pública e com a quantidade de ministérios criados'', comentou.
Segundo Caiado, verbas que o governo já anunciou para o setor não chegaram aos produtores. É o caso do R$ 1 bilhão em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para os agricultores quitarem suas dívidas com os fornecedores de insumos. O dinheiro, segundo o deputado, ''não existe'' porque seu custo é muito elevado. Além da taxa de juros de 8,75%, o Banco do Brasil estaria cobrando mais 8,75% de spread, segundo o deputado.
Para Caiado, também é ''fictício'' o montante de R$ 1 bilhão anunciado há algumas semanas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apoiar a comercialização de arroz, algodão e farinha de mandioca.
''Também não existe a liberação do orçamento do Ministério da Agricultura'', afirmou o presidente da comissão. Parlamentares da bancada ruralista dizem que os recursos anunciados pelo governo federal para o setor agrícola são ''virtuais''.


