Retração no consumo derruba preço da carne
Vânia Casado
De Curitiba
O preço do boi gordo chegou a ser comercializado ontem por R$ 36,00 a arroba, no Norte do Paraná. Essa cotação representa uma queda de 7,7% no preço pago pelos frigoríficos, só esta semana. A tendência é de queda ainda maior já que os pecuaristas decidiram desovar os animais, retidos desde outubro, de uma vez só. Agora é uma explosão e todos querem vender ao mesmo tempo, disse o assessor econômico do Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná (Sindicarnes), Gustavo Fanaya. A tendência de queda verifica-se nos segmentos das carnes de aves e de suínos, provocada pela ausência do consumidor.
Fanaya disse que se depender dos preços das carnes, os índices de custo de vida vão começar a registrar deflação nas próximas semanas. Como os frigoríficos trabalham com um intervalo de cinco dias entre a compra de bois e a venda para o comércio varejista, ele acredita que no final da próxima semana os hipermercados vão começar a fazer promoção com a carne bovina para atrair clientela.
A expectativa dos produtores era de alta no preço do boi, com a proibição do comércio de carne e boi, determinada pelo Ministério da Agricultura quando passou a reivindicar a área livre de febre aftosa para os estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Nessa operação, os maiores prejudicados foram os estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo, respectivamente o maior estado produtor de carne bovina e o maior mercado consumidor do país.
Ocorre que para superar esse impasse, muitos pecuaristas do MS haviam transferidos milhares de cabeças de bovinos superlotando as pastagens paulistas para abrigar os animais. Mesmo assim, o preço do boi gordo permaneceu excessivamente alto entre outubro e janeiro, atingindo até R$ 42,00 a arroba em São Paulo.
Os preços altos da carne bovina coincidiram com o período de férias escolares e houve sobra de produto no mercado, mesmo com a proibição no trânsito de animais.
Na carne de frango, a queda na cotação verificada nos últimos dois meses já atinge 22%. O frango abatido chegou a ser comercializado por R$ 1,65 o quilo no atacado e ontem estava cotado a R$ 1,28. Essa queda anulou a alta que o produto teve quando foi repassada a alta do milho. O mesmo aconteceu com a carne suína. Os cortes de carne e os embutidos tiveram queda mais acentuada em função do recuo no consumo, do que no preço da carcaça de suíno, cuja comercialização não é tão representativa. O lombo de suíno que custava R$ 5,60 no atacado em dezembro, estava sendo vendido ontem por R$ 3,65 uma queda de 35%. O pernil com osso teve uma baixa de 31%, passando de R$ 3,45 o quilo para R$ 2,40 o quilo, no período.





