Retração nas vendas põe em alerta setor automotivo
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quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Beth Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - A retração das vendas de automóveis em outubro de 13,81% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Anfavea), levou o mercado a acender a luz vermelha em relação ao futuro do setor no Brasil. A previsão é de que a restrição de crédito, gerada pelas incertezas em relação aos rumos da economia, vai resultar em uma perda de vendas de cerca de 200 mil veículos no mercado brasileiro em 2008.
A indústria projetava vendas de 3 milhões de veículos este ano, mas muitas montadoras já cortaram esse número para algo em torno de 2,8 milhões de unidades, ainda assim um volume recorde, superior aos 2,4 milhões de veículos vendidos em 2007. Por isso, as atenções agora se voltam para 2009, quando as metas otimistas, em razão da crise, dificilmente serão confirmadas, conforme a avaliação de analistas do setor.
A vice-presidente da Booz & Company, Letícia Costa, avaliou que a crise atual tem dois impactos principais na indústria automotiva. O primeiro deles diz respeito às condições de crédito, que ficou mais difícil e caro. O segundo impacto é na confiança do consumidor, o que também contribui para reduzir as vendas. Considerando-se que cerca de 63% das vendas de veículos novos são financiadas (dados do primeiro semestre de 2008), ressaltou Letícia, fica claro que uma menor oferta de crédito e maiores restrições na concessão do mesmo impactarão negativamente as vendas do setor. ''Acredito que os dados de vendas de outubro já refletem estes dois impactos'', afirmou.
Poucos analistas já arriscam projeções para o próximo ano, mas é consenso de que um crescimento de 10% como o esperado inicialmente pelo mercado é uma meta difícil de ser alcançada. A expectativa das montadoras é de que as medidas recentemente anunciadas pelo governo para manter a disponibilidade de crédito para financiamento evitem uma estagnação, depois de quatro anos de forte crescimento.
A Volkswagen anunciou parada de 10 dias em novembro na unidade de São José dos Pinhais e dará férias coletivas de fim de ano em São Bernardo do Campo e Taubaté (SP), depois de dois anos sem paralisar a produção nesse período do ano. Na Ford, a estratégia é acabar com as horas extras.
A General Motors divulgou medidas para ajustar os estoques da marca. Na unidade de São Caetano cinco mil funcionários terão férias de 10 dias, enquanto em São José dos Campos 2,5 mil pessoas que trabalham na linha de produção do Corsa terão folga por três semanas. Ainda em São José, a montadora também fará paradas na fábrica de CKD e de motores e transmissões. Funcionários de Mogi das Cruzes (SP) e Gravataí (SP) também terão férias neste mês.


