Retração na massa de rendimentos preocupa
De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) , divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatítica e Estudos Sócio-Econômicos e pela Fundação Seade, a estabilidade no nível de rendimento médio real dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) que vem se verificando em 2001 frusta a expectativa de aumento esperada pela entidade para este ano, em acompanhamento à queda do desemprego registrada nos últimos três meses. Segundo a PED, o rendimento médio real dos ocupados na RMSP em julho apresentou pequena variação de -0,2% (R$ 863), enquanto o salário médio diminuiu 2% (R$ 886).
Já a massa de rendimentos dos ocupados seguiu pressionada em julho, apresentando variação negativa de 0,4%. A massa salarial caiu ainda mais 1,5%, em razão do decréscimo do salário médio. Nos últimos 12 meses, a massa de rendimento diminuiu 2,2% e a dos assalariados, 1,3%. ''A massa de salários e rendimentos está se contraindo cada vez mais e isso é preocupante.
Prevíamos uma inversão de tendência no decorrer do ano até mesmo com um crescimento. Mas o cenário econômico não vai permitir que os rendimentos subam e agora passamos é torcer por uma estabilidade'', declara o diretor do Dieese, Sérgio Mendonça.
Em julho sobre junho, os assalariados com carteira assinada do setor privado tiveram redução de 2,3% em seu rendimento médio, enquanto os sem carteira apresentaram crescimento de 0,6% e os autônomos, de 04%. Houve variação negativa de 0,8% no rendimento dos homens e positiva de 0,8% no das mulheres. O valor máximo do rendimento obtido pelos 10% mais pobres da População Economicamente Ativa (PEA) subiu 1,2%, reflexo ainda, segundo o Dieese, do aumento do salário mínimo para R$ 180.
Essa previsão pessimista sobre a massa de salários e rendimentos é reforçada pela difícil negociação salarial que algumas categorias de trabalhadores vêm enfrentando em setembro, como a dos bancários e a dos metalúrgicos. ''Não acredito que essas categorias conseguirão aumentos salariais acima da inflação. Já está difícil conseguirem pelo menos a reposição das perdas'', prevê Mendonça. (AE)





