Retração faz Volvo antecipar férias
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaRitmo interrompidoVolvo em Curitiba tem capacidade de produção diária de 24 caminhões e oito ônibus. De janeiro a novembro, a montadora comercializou 4,1 mil caminhões e 457 ônibus, movimento superior ao de 1996 Os cerca de 1,3 mil funcionários da montadora Volvo entram em férias coletivas a partir da próxima segunda-feira. A empresa decidiu dar folga geral aos trabalhadores devido à retração nas vendas nos últimos dois meses. O retorno ao trabalho está previsto para o dia 13 de janeiro. Em anos anteriores, a Volvo dava 10 dias de férias coletivas. Por causa do pacote econômico, o período foi estendido para 20 dias. A Volvo descarta demissões e não há previsão para reduzir a jornada de trabalho ou salário.
A Volvo teve uma redução de 30% nas vendas de novembro em relação ao mês anterior. A diretoria da empresa diz que as medidas econômicas afetaram o escoamento da produção na mesma proporção que afetaram as montadoras da região do ABC paulista. Segundo a Comissão de Fábrica da Volvo, a fabricação de caminhões está parada desde o dia 8 desse mês e os 56 funcionários já entraram em férias coletivas.
A montadora tem uma capacidade de produção diária que gira em torno de 24 caminhões e oito ônibus. De janeiro até novembro, a empresa vendeu 4,1 mil caminhões e 457 ônibus. As vendas foram superiores ao mesmo período de 1996, quando foram comercializados 3,3 mil caminhões e 602 ônibus. A redução nas vendas de ônibus rodoviários foi sentida pela maioria das empresas que atua no País.
A queda nas vendas neste ano aconteceu assim que o governo baixou o pacote econômico e elevou as taxas de juros. Houve cancelamento de pedidos e a suspensão de entregas de encomendas. A previsão da diretoria da empresa é retomar as vendas a partir do primeiro trimestre de 98.
Com uma jornada de trabalho reduzida de 44 horas para 40 horas desde 1995, a Volvo não tem intenção de diminuir ainda mais a carga horária de trabalho, segundo informou a assessoria de imprensa. A Volvo tem também a possibilidade de usar o Banco de Horas. O banco é um mecanismo de compensação de trabalho, onde o empregado fica em casa quando a produção está baixa e trabalha horas a mais nos períodos de pico. A cada hora extra trabalhada, o funcionário tem direito a folgar duas horas.
Apesar de a diretoria descartar demissões ou fazer a redução da jornada de trabalho, os funcionários estão apreensivos. A situação é preocupante. Não sabemos se na volta das férias coletivas vamos ter emprego, afirmou ontem o coordenador da Comissão de Fábrica, Nelson Silva de Souza. Ele informou que a Volvo demitiu 97 funcionários neste ano, mas contratou 252. A Comissão está orientando os funcionários a limitar os gastos durante as férias.


