Retração econômica freia crédito e eleva inadimplência
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sábado, 28 de novembro de 2015
Eduardo Cucolo<br> Folhapress 
Brasília - A retração econômica deve contribuir para elevar ainda mais a inadimplência e reduzir o ritmo de crescimento do crédito nos próximos meses, segundo o Banco Central. O estoque total de empréstimos a famílias e empresas encolheu 0,1% em outubro em relação a setembro. O crescimento em 12 meses, de 8,1%, está abaixo da inflação de 9,9% no período. O chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, afirmou que a instituição pode rever "ligeiramente para baixo" a projeção de crescimento do estoque de crédito neste ano. A estimativa atual do BC é uma expansão de 9%, menor variação desde 2003 (8,8%).
"Vemos em outubro continuidade da desaceleração do crédito. Há algum tempo, o saldo crescia em ritmo de dois dígitos. Agora cresce menos." Sem bancos públicos, que elevaram seu estoque em 12,5% em 12 meses e representam 56% do mercado, o resultado seria ainda menor. O saldo nos bancos nacionais cresceu 1,5%, e nos estrangeiros que atuam no país, 6,5%.
A inadimplência nas operações com recursos livres (sem subsídios) chegou a 5% em outubro, considerando pessoas físicas e jurídicas, maior percentual desde maio de 2013 (5,1%). Há um ano, a taxa era de 4,6%. Para o BC, esses atrasos continuam em níveis historicamente baixos e não ameaçam a saúde do sistema financeiro, que aumentou suas reservas contra calotes.
A greve dos bancários contribuiu para reduzir as concessões em outubro. A liberação de novos empréstimos recuou 2,7% no crédito livre, principalmente para empresas, e 11,3% no subsidiado, queda puxada por operações rurais e imobiliárias. Também contribuiu para a redução no estoque a queda na atividade econômica e seus impactos no emprego, na renda e nas vendas.
O BC cita ainda o rigor dos bancos na liberação de recursos e a demanda menor por parte dos clientes diante de um cenário de alta de juros.
A taxa média cobrada no crédito ao consumo para as famílias alcançou 64,8% ao ano no mês passado, novo recorde para a série iniciada em março de 2011 nesse caso. Há um ano, estava em 50,6%.
A taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito caiu de 414% ao ano em setembro para 406% em outubro. Um ano antes, a taxa estava em 320% ao ano. A taxa média do cheque especial subiu e fechou o mês passado em 278% ao ano. Esse é o maior valor desde junho de 1995 (284% ao ano).


