São Paulo - ''A crise financeira começou em 2008 e não acabou até agora, estamos no quarto ano de um período de crescimento econômico abaixo do padrão que ainda deve se prolongar. É uma grande retração'', alega o economista Eduardo Giannetti, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). O especialista ministrou a palestra ''Perspectivas da zona do euro para 2013, seus impactos na economia global e a desaceleração do crescimento dos Brics'', durante o Fórum Internacional de Seguros, promovido pela Allianz Seguros, na semana passada. Segundo ele, essa hipertrofia do mercado financeiro é resultado de quatro fatores principais: longo período de juros baixos, forte expansão da liquidez global, aposta desastrada na desregulamentação do mercado financeiro e as novas tecnologias da informação que aceleraram o movimento do mercado.
O economista explica que o total de ativos financeiros antes da crise indica que a economia real estava desconectada da economia financeira. Em 2002, o volume de ativos totalizou US$ 96 trilhões, enquanto em 2008, antes da crise, o volume chegou a US$ 167 trilhões. Ele acredita, no entanto, que a situação atual indica que não haverá um colapso geral na zona do euro. Os países do Brics - grupo que reúne as economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China - apresentavam um movimento descolado da retração das demais nações. Mas, em 2012 também passaram a vivenciar um momento de desacerelação.
Nesse cenário, a economia brasileira, que em anos anteriores apresentava alta vulnerabilidade externa, assimilou a situação com tranquilidade, reduzindo juros em plena crise e enfrentando pequena desvalorização cambial e fraca recessão. A redução dos passivos internacionais e o aumento do mercado consumidor interno contribuíram para esse quadro vivenciado pelo País.
Mesmo diante da tranquilidade, desde 2011 o Brasil vem crescendo em ritmo menor do que o esperado e deve fechar 2012 com índice entre 1,5% e 2%. O superaquecimento da economia brasileira em 2010 resultou em inflação, o que forçou o Banco Central a adotar medidas de contenção em 2011. ''A combinação das medidas contracionsitas com o agravamento da crise europeia levou a uma retração da economia brasileira maior do que a imaginada'', esclarece Giannetti. Para solucionar o problema, o governo passou a adotar ações de incentivo à economia, como a redução de juros, encargos e da carga tributária da energia elétrica e a desoneração da folha de pagamento, que devem diminuir o custo de produção e aumentar a competitividade do País.
Giannetti estima que, caso a aceleração da economia nacional se mantenha, é possível um crescimento de 3,5% a 4% em 2013. Se esse cenário se concretizar, o governo Dilma enfrentará o desafio de controlar um possível aumento da inflação. ''A economia brasileira mudou e os juros baixos vieram para ficar, o mercado terá que se readaptar a essa nova realidade'', comenta. O economista explica ainda que o aumento do consumo é reflexo de uma grande demanda reprimida e alerta que o futuro da economia brasileira depende da escolha futura da população entre gastar e poupar. Giannetti também chama a atenção para o risco enfrentado pela dependência de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os investimentos feitos no País.
* A repórter viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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