Brasília A queda nos volumes de investimentos diretos no Brasil acompanha um movimento de retração que ocorre no mundo inteiro, disse ontem o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. ''Há um cenário importante de retração'', afirmou. Ele disse que, se o problema afetasse só o País, seria mais fácil de resolver. ''Indicaria que precisa de medidas de nossa iniciativa'', comentou. No entanto, observou, o mundo passa por um ''momento de reflexão'', em que os países desenvolvidos registram taxas de crescimento modestas.
Ele comentou que um levantamento feito pela área técnica do Ministério da Fazenda mostra que países com situação macroeconômica ''melhor que a nossa'' têm amargado quedas nos fluxos de investimento direto. Palocci lembrou, porém, que a retração nos investimentos vem sendo compensada pelo aumento na captação de recursos via bancos e empresas.
Questionado sobre se esse movimento não significaria a troca de capital ''bom'' por capital ''ruim'', Palocci discordou. Ele observou que os prazos das captações, que há pouco tempo eram de seis a nove meses, agora estão em dois anos. Independentemente disso, o Brasil tem adotado medidas para atrair o investimento direto. A principal, citada pelo ministro, é a definição do marco regulatório no País, sobretudo nos setores de infra-estrutura.
A retração nos investimentos não deverá precipitar uma decisão do Brasil em relação a um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), disse Palocci. O programa atualmente em vigor termina em dezembro e o governo ainda não decidiu se negocia uma prorrogação. ''Vamos analisar essa questão de forma transparente'', prometeu. ''Mas ainda não temos uma decisão.''
Neste final de semana, chega a Brasília a missão técnica do FMI, para a quarta revisão do programa. Se as contas referentes ao segundo trimestre do ano forem aprovadas, o Brasil terá acesso a uma parcela de US$ 4,25 bilhões, do empréstimo no valor total de US$ 31 bilhões aprovado em setembro do ano passado.
Na avaliação do ministro, a relação do Brasil com o FMI tem sido ''muito benéfica'' para o País. Principalmente depois que o Fundo concordou em deixar que o Brasil defina de forma autônoma as medidas na área macroeconômica. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a fixação da meta do resultado primário das contas do setor público em valor equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
Palocci reiterou, ainda, que o corte de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic determinada na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) não deve ser analisada pelo valor numérico, mas pela tendência. ''A inflação está em perspectiva crescente de baixa e os juros estão em perspectiva crescente de baixa.''

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