Retração do PIB em 2016 passa para 0,24%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Célia Froufe<br>Agência Estado 
Brasília - A retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, prevista na semana passada pela primeira vez no Relatório de Mercado Focus, foi acentuada na edição de ontem. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central (BC), a mediana das previsões para a atividade do ano que vem passou de um recuo de 0,15% para uma queda de 0,24%. Há quatro semanas, a taxa vista era de uma alta de 0,20% para esse indicador.
Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País também está cada vez mais forte. De acordo com o boletim Focus, as projeções para o PIB de 2015 foram revisadas de uma queda de 2,01% para uma baixa de 2,06% agora. O documento é divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira pela manhã. Há um mês, a mediana das previsões estava negativa em 1,76%.
O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.
No boletim Focus de ontem, a projeção para a produção industrial também mostrou piora: saiu de uma baixa de 5,00%, onde estava quatro semanas antes, para recuo de 5,20%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em 1,00% - um mês antes era 1,30%.
Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas não foi alterada para 2015 (36,15%) e nem para 2016 (38,50%). Há quatro semanas, as medianas das previsões para esse indicador eram de, respectivamente, 37,00% e 38,50%.
SELIC
A dúvida sobre o comportamento da Selic de 2016 na semana passada foi dizimada no Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem. A mediana das previsões para a taxa básica de juros no período saiu de 11,88% ao ano - o que mostrava falta de consenso entre um nível de 11,75% e 12,00% - para 12,00% ao ano agora. Este era o patamar aguardado há um mês no mesmo documento. Apesar da mudança, a projeção para a Selic média ficou inalterada em 13,13%.
Para este ano, as expectativas ficaram congeladas. A previsão do boletim Focus de que a Selic chegue ao final deste ano em 14,25% ao ano foi mantida pela quarta semana seguida. A Selic média de 2015 também se manteve em 13,63% pela quarta edição consecutiva.
Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% - previsão apontada já há nove semanas. A mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no ano que vem.
IPCA
Os analistas mais pessimistas seguem acreditando que a inflação deste ano terminará em dois dígitos. A projeção máxima de 10,02%, vista na semana passada no relatório, foi mantida agora, a despeito de uma melhora na mediana das estimativas para a pesquisa geral para o período. Para a inflação de longo prazo, não houve mudanças em relação à semana anterior. A mediana das previsões dos participantes do boletim Focus permaneceu em 4,55% para 2017 e em 4,50% para 2018 e 2019.
O relatório mostrou, ainda, uma diminuição das projeções de inflação mensal de agosto e setembro - de 0,30% para 0,26% e de 0,40% para 0,38%, respectivamente.


