Retração de preços das commodities deve perdurar em 2015
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Estoques mundiais elevados, preços das commodities pressionados e clima instável, atrapalhando o plantio da safra verão 2014/15. Fatores que estão deixando os produtores do Brasil e do Paraná, principalmente os de grãos, cautelosos. E eles estão com razão de estarem atentos ao momento, segundo o diretor e analista da Céleres Consultoria, Anderson Galvão. O especialista de uma das consultorias mais respeitadas do agronegócio nacional esteve em Londrina e Maringá nesta semana e ministrou duas palestras a produtores da região, analisando este cenário e apontando caminhos que os agricultores podem trilhar a partir de agora.
De acordo com números do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), o Estado deve produzir na safra 2014/15 por volta de 17,1 milhões de toneladas de soja, uma alta de 18% em comparativo à temporada passada. Só entre março e setembro, os preços da oleaginosa caíram 15,7% e, com a tendência de oferta elevada no mundo graças à expectativa de boas colheitas nos Estados Unidos e América do Sul, podem cair ainda mais no ano que vem. Mesma situação para o milho, que no mesmo período teve os preços em queda de 23,4% no Paraná, com a saca de 60 quilos sendo comercializada em setembro a R$ 17,92.
Em entrevista à FOLHA, Galvão explicou que os preços das commodities retraíram não pela queda de demanda, mas pelo excesso de oferta. "Nos últimos dois anos, apesar da região Centro-Sul do País ter sofrido com a estiagem na safra 2013/14, com quebras (na produção) de soja e milho, o mundo produziu muito bem grãos de modo geral. Isso permitiu uma recuperação de estoques, mesmo com a demanda firme. Neste ano, a soja em Chicago caiu de US$ 17 o bushel para US$ 9, só se recuperando um pouco nesta semana", analisa ele.
Projetando o futuro, baseado nos preços de março e maio de 2015 em Chicago, com o bushel a US$ 10 e o câmbio a R$ 2,60, o analista consegue vislumbrar preços da saca de soja no Paraná a R$ 53, o que segundo ele é muito bom, já que os custos de produção giram entre R$ 40 e R$ 42 e a margem de rentabilidade ainda ficaria na casa dos 20%. "A situação é mais dramática no Mato Grosso, onde a logística consome muito dessa margem, com custos elevados e preços de venda mais baixos. Por outro lado, se formos para um cenário onde a safra da América do Sul fechar extramente favorável, o bushel pode retrair para US$ 8,50 e aí poderemos ter valores da saca no Paraná próximos aos de custo de produção, na faixa dos R$ 45".
Na opinião de Galvão, o produtor deve se posicionar com prudência no final deste ano e início de 2015. "Ele deve focar no controle de custos e rever investimentos, como por exemplo arrendamento de terras, que nos últimos cinco anos subiram demais justificado pela alta rentabilidade que o setor proporcionava até então. Este movimento de preços baixos, se não houver nenhum imprevisto, deve perdurar pelo menos um ano ou dois, até que os estoques sejam consumidos. É preciso se preparar para passar por um período de menor rentabilidade, como no caso da soja, que agora tem os preços mais baixos dos últimos quatro anos", finaliza o consultor.


